O escritor José Hipólito Raposo, nasceu no dia 12 de fevereiro de 1885, numa casa quinhentista, sita na rua Velha, em São Vicente da Beira. Não teve uma vida longa, pois tinha 68 anos quando faleceu.
Localidade mantém viva a memória do escritor
O escritor José Hipólito Raposo, nasceu no dia 12 de fevereiro de 1885, numa casa quinhentista, sita na rua Velha, em São Vicente da Beira. Não teve uma vida longa, pois tinha 68 anos quando faleceu.
Na sua casa, vive hoje Maria de Jesus, que ao recordar o passado, lembra que uma parte da habitação ainda está “tal e qual era no tempo do Hipólito Raposo. Os sobrados e os tetos em castanho são daquele tempo”.
José Manuel dos Santos solicitou e Maria de Jesus fez-lhe uma visita guiada. “Logo há entrada no almiar, existe uma porta que dá acesso às lojas, onde guarda as alfaias da lavoura. Subi as escadas, entro numa sala repleta de recordações: quadros, fotografias dos antepassados… em cima de um móvel um Menino Jesus de Malines”, conta, referindo que ela ia explicando e apontando.
“Olha aqui ó Zé para esta moldura; São José, Menino Jesus e o São Roque; aquele quadro além é a Senhora dos Milagres, tem os milagres em toda a volta. O Menino Jesus, foi a minha madrinha e tia Maria de Jesus quem mo ofereceu; era irmã da minha mãe, viveu 40 anos em Lisboa”, reiterando que “a sala está igual ao que era no tempo do senhor João Raposo, pai do Hipólito Raposo. É a sala de jantar, nunca cá comi nenhum jantar, nem almoço”. Com certeza que, em contrapartida, Hipólito Raposo terá ali feito muitas refeições.
“As portas que dão acesso aos quartos, são as portas originais. Isto não tinha portas, eram cortinados, os sobrados e os tetos são todos de castanho, terá sido neste quarto que nasceu Hipólito Raposo, é o maior”, conta Maria de Jesus, alertando: “repara nestas portas, ainda possuem os buracos que as seguram”. E continua a visita: “Esta é a cama onde morreu a minha tia Resgate ‘catequista, zeladora da igreja…’”
Noutro aposento há um velho relógio de sala, muito antigo. “Daqui para lá, era tudo à telha vã, ao fundo havia uma porta que dava acesso ao quintal. Já era velha, foi o meu homem que a substituiu. Repara nos buracos e no rasgo, era para porem a tranca. Aqui tinha a minha avó o tear, era tecedeira, chamava-se Josefa”, acrescenta.
Na cozinha, Maria de Jesus apontando para o chão disse: “o lar era qui no meio, o Zé companhia foi quem fez a chaminé além; as pedras do lar eram iguais àquelas; ardósias que se encontram na soleira da antiga porta”.
Noutra dependência um crucificado e várias imagens. “Este Senhor é muito antigo, um dia caíram os santos todos que estão em cima da cómoda, o crucifixo ficou em cima do meu colo intacto, foi um milagre do Senhor Santo Cristo”, acredita.
As comunidades não podem dissociar-se do seu passado, mas também não devem parar no tempo. As pessoas ao atingirem a idade da reforma devem aproveitar o tempo que lhes resta transmitindo valores, conhecimentos, saberes que foram adquirindo ao longo da vida A memória de um idoso não se compara ao pensar de uma pessoa jovem, certo!
Estes aprendem, assimilam mais facilmente determinadas matérias, as pessoas idosas recordam vivências passadas.
Sendo assim, todas as gerações têm muito a oferecer. Cabe aos mais velhos transmitir aos mais novos saberes que de outro modo se perderiam para sempre. Cada geração tem o seu tempo.