Perdoe-me Milan Kundera pela adulteração do título da sua obra de 1984, A Insustentável Leveza do Ser, onde o autor explora as incoerências dos comportamentos individuais e sociais, tendo como cenário a bela cidade de Praga.
Com este título a minha intenção é reflectir sobre as consequências do envelhecimento da população na maioria dos países da OCDE, sobretudo com implicações evidentes nos serviços de saúde, nos sistemas de segurança social e no mercado de trabalho.
De acordo com um estudo da Economist Intelligence Unit (EIU), uma em cada três empresas britânicas espera que o número de empregados com idade superior a 60 anos aumente significativamente até 2020, ano que não está assim tão distante.
De resto, um pouco por toda a Europa, a idade de reforma está a ser lentamente empurrada para idades impensáveis há 30 anos atrás, uma vez que os sistemas de prestações públicas estão cada vez mais pressionados pela combinação de baixas taxas de natalidade e o aumento da esperança média de vida.
Contudo, o notável aumento da esperança média de vida nem sempre se traduz em qualidade de vida dos mais idosos, uma vez que é também este segmento da população que acaba por estar mais debilitado e vulnerável a doenças.
Assim, os serviços de saúde acabam por ser pressionados a dar resposta a uma população cada vez envelhecida e mais vulnerável, em que predominam doenças próprias de quem teve uma vida longa e com as respectivas mazelas do organismo.
Relativamente aos sistemas de segurança social, os governos debatem-se com questões sensíveis, sendo importante estimular a taxa de natalidade ao mesmo tempo que é fundamental garantir o apoio financeiro a uma população envelhecida que efectuou os seus descontos e legitimamente criou expectativas sobre as prestações a receber após o fim da sua vida activa de trabalho.
Por um lado, os efeitos de um eventual aumento da taxa de natalidade apenas se reflectirão daqui a 20 anos, sendo que durante esse período serão cada vez mais aqueles que esperam terminar a sua vida activa, agravando o rácio de contribuintes vs beneficiários do sistema de segurança social.
Por outro lado, a entrada no mercado de trabalho tem sido cada vez mais adiada pelas novas gerações que optam por investir nos seus estudos, começando a sua vida contributiva, muitas vezes instável, entre os 25 e os 30 anos de idade, algo que também era impensável há algumas décadas atrás.
Finalmente, no mercado de trabalho já se favorecem medidas para melhorar a qualidade da vida activa dos trabalhadores mais experientes. No artigo «Four Ways to Adapt to an Ageing Workforce» publicado em Abril de 2014 na Harvard Business Review, Michael North e Hal Hershfield destacam quatro medidas para que as empresas consigam responder às necessidades específicas de trabalhadores mais envelhecidos.
Estas medidas envolvem um regime de reforma parcial, a valorização das competências e conhecimento acumulado, a criação de novas funções organizacionais e a adaptação ergonómica do local de trabalho às necessidades físicas da nova faixa etária dos trabalhadores.
Actualmente, são vários os exemplos de empresas que já adoptaram algumas estas medidas de modo a motivarem os trabalhadores com mais experiência a prolongarem a sua vida activa dando um contributo valioso para o equilíbrio nas relações laborais. Exemplos destas empresas são a Vodafone, a BMW, a Xerox, a Unilever, entre outras.
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