É durante os anos 90 que se acentuam grandes transformações económicas, sociais ou tecnológicas em Portugal com implicações noutras áreas, como por exemplo a educação, o emprego, a vida familiar ou o papel da mulher na sociedade.
Com uma população superior a 10 milhões de habitantes no final da década aumentam as assimetrias regionais, que passaram para uma orientação interior/litoral. O crescimento demográfico faz-se quase exclusivamente por movimentos migratórios para Lisboa, Vale do Tejo e Algarve. É aí que se encontram mais oportunidades de emprego, mais universidades, mais ofertas.
A integração da mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho, com uma taxa de desemprego baixa, foi facilitada pela forte expansão do emprego no sector público, em especial, na administração pública, saúde e ensino, que absorve grande percentagem dos novos licenciados das universidades. No entanto, mais de metade do emprego no sector dos “Serviços”, concentra-se em profissões associadas a baixos níveis de qualificação.
Aumenta o fosso geracional entre uma população jovem mais escolarizado e mais propensa a uma formação contínua ao longo da vida e uma população mais envelhecida, com uma escolarização baixa e pouco motivada em apostar na formação. O uso de computador e da Internet era feito maioritariamente pela população mais jovem.
O prosseguimento dos estudos após a escolaridade obrigatória (9 anos) tende a aumentar e continua a crescer o número de estudantes no ensino superior, com especial ênfase nas mulheres. Estas, são grandes responsáveis pela elevação do nível de escolaridade da população.
A taxa de natalidade continua a diminuir e o envelhecimento demográfico continua a acentuar-se. Portugal apresenta menor proporção de jovens que a média europeia.
Há uma diminuição acentuada do número de casamentos, em especial casamentos pela igreja e um aumento das uniões de facto, tendências associadas aos casais mais jovens. “Casar pela Igreja” já nem mobiliza metade dos casais, quando nos anos 70, mobilizava três quartos dos noivos. O número de casamentos diminui de 71654 em 1990 para 43 228 em 2008. O número de divórcios aumentou bastante (15% dos casamentos em 1990 para 60 % de separações em 2008).
Emergem naturalmente novos valores sobre a conjugalidade, o conceito e a definição de família. A família nuclear tende a ser mais pequena e aumentou o peso das famílias monoparentais compostas sobretudo por mães com filhos. Aumentou o número de famílias (agregados familiares mais pequenos) e cada vez mais pessoas a viverem sós.
Outra grande alteração social prende-se com a diminuição do número médio de filhos por mulher, acompanhada por um aumento da idade com que se tem o primeiro filho. Este, é um sintoma do aumento do número de mulheres no mercado de trabalho e na luta para terem as suas carreiras profissionais e igualdade de oportunidades.
Ao nível da saúde, em comparação com os países da União Europeia, Portugal é dos que têm menos profissionais de saúde por habitante. No entanto, quanto à procura de cuidados médicos, esta não parou de aumentar, tendo as consultas nos hospitais e centros de saúde crescido cerca de 25% numa década.
Ou seja, é a partir do final dos anos 90 que começa a emergir um padrão que vai ter consequências dramáticas na atualidade (população envelhecida, desertificação do interior, emigração dos jovens portugueses, imigração que deixa apenas de ser de países lusófonos, falta de profissionais na saúde, educação e artesãos). E havendo estes dados todos, para onde andaram a olhar os nossos governantes?
A partir do final dos anos 90 começa a emergir um padrão que vai ter consequências dramáticas na atualidade (população envelhecida, desertificação do interior, emigração dos jovens portugueses, imigração que deixa apenas de ser de países lusófonos, falta de profissionais na saúde, educação e artesãos).