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Pais em tempos de crises: As expectativas e a vida conjugal

Mário Freire - 16/06/2016 - 9:22

A expectativa é um estado de uma pessoa que espera conseguir algo. Por exemplo, pode ter-se a expectativa de se alcançar uma posição de relevo numa carreira profissional. Outro exemplo é aquele que é mostrado no filme My fair lady em que um professor de fonética, acompanhado de um seu amigo, num dos seus habituais passeios nocturnos, encontra uma rapariga pobre, vendedeira de flores, com uma pronúncia e vocabulário péssimos. O professor aposta, então, com o amigo de que seria capaz de transformar aquela rapariga numa dama que saberia falar bem, se ela nisso consentisse. E assim aconteceu. Há aqui, igualmente, uma expectativa muito elevada do professor de fonética que conseguiu concretizá-la com o seu empenho e com a colaboração da rapariga.
Na família, os pais, perante comportamentos desajustados dos filhos, terão expectativas que eles melhorem. Há que ter, então, a paciência, a persistência sem desfalecimentos, mostrando aos filhos onde erraram, ao mesmo tempo que lhes vão manifestando a sua confiança de que alcançarão os objectivos
Um outro aspecto das expectativas, no funcionamento familiar, pode conduzir a outros efeitos. Admita-se que um casal vai para o casamento com a expectativa de que tudo irá correr bem, que irão alcançar a felicidade sem limites. Acontece que passados os primeiros meses, começam a ocorrer divergências e que elas se implicam quer como cada um vê o outro, quer como interpretam os acontecimentos da vida quotidiana. Citando o Papa Francisco, Exortação Apostólica “A Alegria do Amor” (nº221): “Uma das causas que leva a rupturas matrimoniais é ter expectativas demasiado altas sobre a vida conjugal”. Os problemas que a realidade nos traz nem sempre se compadecem com a visão idílica de que na vida tudo são rosas. Ora, a solução que a muitos ocorre é a separação imediata; as contrariedades, contudo, podem constituir-se num meio de amadurecimento do casal que os leve a crescer emocionalmente, a desenvolver capacidades, “dando uma resposta criativa e generosa”, como diz o Papa, conduzindo, pouco e pouco, “ a uma realidade cada vez mais sólida e preciosa”, com maior compreensão mútua. 
Sem expectativas seria difícil viver; fazê-las adequar à realidade da vida faz parte da sabedoria que cada um devia ter, fruto da reflexão, da experiência e do bom senso. 

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