Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Editorial: Banca(da)

Artur Jorge - 02/04/2025 - 15:11

Parece, de acordo com os especialistas, que apenas o Chipre remunera pior o dinheiro das contas à ordem que os bancos portugueses.

Já há dias, Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, “alfinetava” na direção dos banqueiros pelos juros baixos pagos aos clientes pelos seus depósitos. Todos sentimos isso na “elasticidade” que tentamos dar às nossas parcas economias.

Dizia Centeno não ser “muito compreensível” que os bancos não ajustem o valor das remunerações que recebem dos depósitos que fazem no Banco Central (2,5%), com a taxa de juro inferior que retribuem aos clientes pelas esforçadas poupanças que ali reservam.

Falou-se de “responsabilidade social” da banca, como se o comum dos portugueses acreditasse num altruísmo dessa natureza por parte de um nicho que tanto tem consumido ao esforço do povo. Vejam-se as comissões que cobram.

Sabemos bem o que passámos com as novelas de BPN, BCP e, depois, com o dramático folhetim do BES. A propósito deste, salta à memória comparativa o diagnóstico dos responsáveis da Saúde quando tínhamos a pandemia à porta de casa e assobiavam para o lado. “O BES está sólido”, asseverava Cavaco Silva, presidente da República. Nunca será dissociado desse tremendo equívoco.

O mesmo povo que pagou essas crises, é aquele que hoje não vê as suas poupanças valorizadas em época dourada da banca. É justo? Claro que não é!

É como as grandes superfícies comerciais que engordam em lucros e dispensam funcionários para o cliente depositar as compras e pagar nas caixas automáticas. Tipo as App dos bancos…

E nós vamos na cantiga!

 

Jornalista

COMENTÁRIOS

Carlos Resende
No ano passado
Bom dia Exmo. Sr. Artur Jorge,
Um jornalista em todas as noticias ou artigos de opinião que publica, deve escrever o que lhe vai na alma, sem se deixar influenciar por ideologias pessoais ou por falta de estudo na recolha de informação... Com isto quero dizer-lhe que o Presidente da República na Pandemia era o Professor Marcelo Rebelo de Sousa e não o Professor Aníbal Cavaco Silva. Temos que deixar os gostos pessoais para os outros e não para os jornalistas, uma vez que estes têm que ser isentos em Prol da Democracia.
Artur Jorge
No ano passado
Caro Carlos Resende. Numa leitura mais atenta do artigo de opinião perceberá que é mesmo ao professor Cavaco Silva, então Presidente da República, que me refiro, recuando aos idos de 2013. E à tranquilidade que procurava então passar aos portugueses sobre o caso BES.
A pandemia surge no artigo como efeito comparativo da precipitação das avaliações: estava à porta e os responsáveis da saúde continuavam afirmar que dificilmente cá chegaria.