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Breve balanço da JMJ. Um terramoto de Alegria

Florentino Beirão - 24/08/2023 - 10:20

Passados alguns dias, após a Jornada Mundial da Juventude que ocorreu no início deste mês em Lisboa, penso ser altura de fazer um breve balanço deste evento mobilizador de cerca de milhão e meio de jovens dos países de todo o mundo. Tornou-se inesquecível tal iniciativa presidida pelo peregrino Papa Francisco de 86 anos, sentado numa cadeira de rodas, acenando às multidões de jovens que se amontoavam para o saudar. Com as suas palavras proféticas, certeiras e acutilantes, fez uma exemplar catequese. Mensagens que calaram bem fundo no coração dos jovens, sacerdotes e políticos. Houve oportunos recados para todos os que foram ouvindo o Papa nos seus múltiplos discursos. 
Não há sombra de dúvida que estas Jornadas foram um acontecimento de um total sucesso, apesar das polémicas havidas, antes da sua realização. Num país democrático, as opiniões de todos contam, desde que fundamentadas e sérias. Nunca haverá total concordância em democracia. Há sempre várias maneiras de se olhar para o mesmo acontecimento.
A torrente de jovens foi crescendo, como um largo rio, ao longo da semana que antecedeu o ponto alto do evento. No primeiro dia da Jornada, o número de jovens, avançado pela organização, atingia os 20 mil peregrinos. No quarto dia subiu para 800 mil jovens. O número final, um milhão e meio, foi dado pela Santa Sé.
O Papa, quando regressou a Roma, confidenciou aos jornalistas que o acompanharam no avião, que estas Jornadas tinham sido as mais bem preparadas a que tinha presidido. Um elogio que retrata bem o que se passou em Lisboa, durante o decorrer deste grande evento jovem.
Segundo as verbas envolvidas na concretização desta Jornada e que foram dando que falar a muitos comentadores, também terá sido a mais dispendiosa de todas, e aquela que foi mais suportada por financiamento público. Cerca de 160 milhões de euros no total e metade dos quais foram públicos.
Por exemplo, em Madrid, a JMJ ficou pelos 51 milhões de euros, angariados junto de patrocinadores e peregrinos. A última jornada que se realizou no Panamá ficou-se pelos 19 milhões de euros, sem quaisquer gastos públicos.
Os supostos ganhos financeiros da Jornada realizada no nosso país, pelas estimativas avançadas pelas entidades promotoras, rondará os 500 milhões de euros. Fora o seu valor imaterial, dado que Lisboa, durante uma semana, com a presença do Papa Francisco, se tornou conhecida em todo o mundo, através dos múltiplos meios da comunicação social que cobriram o evento.
Não há dúvida que estas Jornadas foram também um momento de ecumenismo, ao receber jovens de toas as experiências religiosas. Deste modo, se concretizaram as palavras incisivas do Papa quando proclamou na sua homilia e fez repetir aos jovens que a Igreja deve estar aberta a todos, todos, repetiu.
 Continuou a prática dos vários encontros com os líderes de confissões religiosas não católicas, ao repetir agora os vários encontros ecuménicos dos quais foi protagonista.
Um dos momentos altos destas Jornadas foi também a Via-Sacra no Parque Eduardo VII, pelo elevado grau de criatividades e beleza, animada por um grupo de bailarinos e alguns cantores. O mesmo se diga das músicas que foram cantadas por um numeroso coro, representando as dioceses de Portugal, durante as cerimónias religiosas.
Debaixo de um calor tórrido, os peregrinos, estoicamente, aguentaram as diversas cerimónias no Parque Tejo, em frente ao polémico altar, devido às iniciais verbas do seu elevado custo as quais acabaram por ser reduzidas.
Não faltou ainda tempo para o Papa acolher alguns bebés à porta da Nunciatura Apostólica. A todos foi acarinhando, com toda a sua emoção, revelada nos seus gestos e sorrisos.
O grande pecado da pedofilia, cometido por alguns membros da Igreja Católica em Portugal e no mundo, também não foi esquecido por Francisco, ao receber algumas das vítimas na Nunciatura. Segundo alguns relatos, o Papa terá ficado muito comovido com os seus testemunhos. Também não foi esquecida a guerra da Ucrânia, rezando o Papa pelo seu fim.
Não faltou ainda uma rápida deslocação do Papa a Fátima, de onde foi trazida a imagem da Virgem, para o altar principal da missa da despedida.
Depois desta grandiosa Jornada, só o tempo nos poderá mostrar se a aposta de Francisco deixou marcas de ânimo e renovação da Igreja em Portugal e no mundo.

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