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Cargaleiro: Vencedores do primeiro prémio já são conhecidos

Lídia Barata - 28/10/2026 - 10:22

“Um legado permanece vivo quando inspira novas criações”. É deste modo que a Fudação Manuel Cargaleiro resume o que foi a primeira edição dos Prémios que já têm vencedores. 

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Exposição dos trabalhos pode ser vista em Castelo Branco

“Um legado permanece vivo quando inspira novas criações”. É deste modo que a Fudação Manuel Cargaleiro resume o que foi a primeira edição dos Prémios Manuel Cargaleiro, que divulgou, dia 23 de outubro, quem foram os vencedores nas diversas categorias. As distinções foram entregues no Dia das Belas-Artes 2026, que assinalou os 190 anos da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).

Rafaela Monnerat Schenkel, no Prémio Investigação, Tomás Caleia Azul, no Prémio Revelação, e Joana Paraíso, no Prémio Cargaleiro, destacaram-se entre as 267 candidaturas de todo o país e estrangeiro. O Prémio Investigação, categoria sem finalistas e cujo resultado apenas foi revelado na cerimónia, o júri distinguiu Rafaela Monnerat Schenkel, cujo projeto “é dedicado aos vidrados de efeito na obra de Manuel Cargaleiro e incide sobre um domínio em que a técnica cerâmica e a investigação cromática do mestre se encontram”. O estudo deverá prosseguir e ser publicado pela Fundação para integrar os fundos da Biblioteca da Fundação Manuel Cargaleiro, da Biblioteca da FBAUL, da Biblioteca Municipal António Salvado e da Biblioteca D. Fernando de Almeida.

No Prémio Revelação, dirigido a estudantes do ensino superior artístico, venceu Tomás Caleia Azul (Figueira da Foz, 2004), da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, com a obra “Pentatonic Scale” (2025), que lhe garante o financiamento integral da licenciatura de quatro anos. “Em acrílico sobre metal soldado, a peça organiza uma paisagem ígnea segundo a matriz da escala pentatónica, estrutura musical ancestral recorrente no blues e no rock, e procura dar matéria ao som, sinestesia que não surge por acaso num artista também formado em Música, pelo Conservatório David de Sousa”. O júri atribuiu ainda, nesta categoria, duas menções honrosas, cada uma com o financiamento de um ano letivo do respetivo ciclo de estudos: a Giulia Paz, com “Viração”, obra têxtil “construída a partir do gesto de desfiar o tecido fio a fio, que reage à passagem de quem dela se aproxima”; e a Mônica Lopes Nogueira, com “Cópia da Cópia da C...”, painel cerâmico “que transpõe para o azulejo uma reflexão sobre a reprodução sucessiva da imagem digital”.

No Prémio Cargaleiro, aberto a artistas de qualquer idade, nacionalidade ou percurso, a vencedora foi Joana Paraíso, que recebe um prémio monetário de cinco mil euros, com a obra “Na Margem” (2026), que “parte de um motivo geométrico da calçada portuguesa — um X inscrito num quadrado, identificado num percurso a pé no topo do Parque Eduardo VII — e entrosa-o com o rosto de uma figura feminina que olha por cima do ombro. Na linha das paisagens urbanas que atravessam a obra do mestre, a peça propõe uma reflexão sobre o modo como a mulher observa, habita e negoceia o espaço da cidade. Natural de Barcelos, Joana Paraíso é doutoranda em Belas-Artes, na especialidade de Desenho, na FBAUL”.

O próximo passo da comemoração do centenário é a “Grande Exposição do Centenário”, que inaugura a 16 de março de 2027, no Centro de Exposições do Pavilhão de Portugal, em Lisboa, numa parceria com a Universidade de Lisboa. Integra quatro obras musicais originais, encomendadas pela Fundação a quatro compositores: Pedro Lima, Dimitris Andrikopoulos, Sofia Sousa Rocha e Solange Azevedo. Inspiradas na vida e na obra de Manuel Cargaleiro, década a década, as composições somam nove andamentos, um por cada década de criação, e serão interpretadas pelo Lontano Trio no percurso desta exposição antológica.

A exposição dos 20 finalistas permanece patente no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, até ao final de fevereiro de 2027, seguindo depois para a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, no Seixal.

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