O Município de Castelo Branco promove o Ciclo de Dramaturgia, que inclui quatro produções teatrais e a projeção de um filme em vários espaços do concelho.
Primeiro espetáculo decorreu no centro cívico
O Município de Castelo Branco promove, de 30 de setembro a 9 de outubro, o Ciclo de Dramaturgia, que inclui quatro produções teatrais e a projeção de um filme em vários espaços do concelho.
Joana Craveiro é a dramaturga convidada para dinamizar este “projeto inovador no panorama nacional, que destaca um autor de reconhecidos méritos, desafiando-a a fazer uma seleção de peças teatrais que possam ser apresentadas em diversos espaços”.
O projeto arranca com teatro, no Campo Mártires da Pátria (Devesa), dias 30 de setembro e 1 de outubro, pelas 21H00, com o eseptáculo Viajantes Solitários, sendo as sessões limitadas a 30 lugares. Com texto e direcção de Joana Craveiro e interpretação de Estêvão Antunes e Simon Frankel, este espetáculo é uma co-produção do Teatro do Vestido, a partir de uma ideia do Teatro Viriato e Patinter, com apoio do Centro de Artes de Ovar, Teatro Municipal do Porto – Rivoli e Teatro Municipal Dona Maria II.
“Em que pensam os camionistas durante todos os quilómetros que percorrem? O que acontece com estes homens durante estas viagens? Que viajantes são estes e como mitigam a sua solidão? Se tivessem que parar de meter-se à estrada, aguentariam? E as mulheres – há lugar para elas nestas histórias?”, é um conjunto de questões que dá mote ao texto, construido a partir da recolha de histórias de vida e de ‘estrada’ de camionistas.
Seguem-se, dia 3 de outubro, o espetáculo “Viagem a Portugal, última paragem ou o que nós andámos para aqui chegar”, na Fábrica da Criatividade, às 21H00. “Neste espectáculo-percurso-viagem, o Teatro do Vestido procura descobrir como chegámos até aqui. De onde vimos afinal? Qual o mapa das estradas? O que é, enfim, um país, e o que nos torna parte dele?, seguindo o conto ‘A Viagem’, de Sophia de Mello Breyner, no encalço da viagem [a Portugal] de Saramago, fazemos o luto pela morte de José Mário Branco, apanhamos os restos desse trauma que é a Guerra Colonial, chamamos ditadura à ditadura e não temos medo da palavra fascismo, que é o que foi”.
O texto e direção é de Joana Craveiro, uma cocriação com interpretação de Estêvão Antunes, Simon Frankel e Tânia Guerreiro.
No dia 5, é exibido, às 17H00, no Cine Teatro Avenida, em Castelo Branco, o filme “Elas também estiveram lá”, com que Joana Craveiro se estreou na realização, estando no final disponível para uma conversa com o público. Trata-se de “um documentário poético sobre a invisibilidade das mulheres em acontecimentos históricos, como a ditadura portuguesa de 1926-1974, ou o processo revolucionário de 1974-75. Combinando histórias de vida, fotografias e documentos originais, o filme reencena essas vidas invisíveis e culmina com uma cena filmada numa pequena sala de cinema, que se acredita ter sido usada pelos censores durante a ditadura portuguesa”.
Seguir-se-ão espetáculos no Centro Cultural de Alcains e no Cine Teatro Avenida, de 7 a 9 de outubro.