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Cata-ventos: Ainda e ainda o aquecimento global

Costa Alves - 04/05/2023 - 9:23

Em março de 2023, o valor médio mensal da concentração de dióxido de carbono registado na estação de referência de Mauna Loa, no Hawai, foi de 421 partes por milhão em volume de ar (ppm), mais 2,2 do que no mesmo mês do ano passado. No dia 17 de abril chegou mesmo a atingir o valor de 424,83 ppm que é o máximo absoluto desde que há registos e também dos valores estimados da concentração de CO2 nos últimos 800 mil anos. Isto é, as emissões de gases com efeito atmosférico de estufa, em vez de diminuírem muito, continuam a aumentar a um ritmo superior ao verificado entre 1970 e 2000 (aumento médio anual de 1,5 ppm) E, desde 2001, manteve-se uma subida anual acima de 2 ppm. A manter-se este incremento, o limite crítico de 450 ppm será atingido daqui a cerca de 15 anos. A este nível corresponderá um aumento de 2º C da temperatura média global relativamente ao início da revolução industrial. E, mesmo com o acordo de Paris a vigorar desde 2020, manteve-se o nível médio de aumento das emissões que alimentam o aquecimento global. As consequências são numerosas e em 2022, regista a Organização Meteorológica Mundial, a Europa ultrapassou o máximo de degelo glaciário e, só a Suíça, perdeu 6% da sua criosfera glaciária.

Entretanto, surgem problemas relacionados com a produção de novos clorofluorcarbonetos (CFC). Em 1987, os poderes internacionais temeram que a radiação ultravioleta C chegasse à superfície terrestre e agiram de modo coordenado. O Protocolo de Montreal foi assinado por iniciativa da ONU e os CFC, gases produzidos artificialmente e utilizados numa série de aplicações na refrigeração, nos aparelhos de ar condicionado ou como dissolventes, foram mundialmente reconhecidos como danosos por reagirem quimicamente com o ozono provocando a diminuição da sua concentração. A Ciência conseguiu que a Política a seguisse, ao contrário do que está a acontecer com as emissões de gases com efeito de estufa. Por processos políticos e diplomáticos com desenvolvimento rápido e eficiente, resolveu-se o que, desde 1992, não tem resultado para o aquecimento global.

Desde 2010, está proibido em todo o mundo produzir CFC que diminuam a concentração de ozono na estratosfera, mas cinco compostos desta família de produtos químicos, entretanto aprovados por não serem considerados danosos na sua interação com a ozonosfera, alcançaram níveis de emissões nunca atingidos e têm propriedades que geram outros efeitos. Uma investigação conduzida por Luke Western e Johannes Laube, revelada na revista científica “The Conversation”, com base nos dados obtidos no observatório do cabo Grim, situado na costa ocidental da Tasmânia, revela que o impacto dos cinco novos CFC autorizados na recuperação da camada de ozono é aceitável. É avaliado na ordem de 10% do dos CFC proibidos e o dos HFC, que não contêm cloro, é ainda menos prejudicial à camada de ozono. O resultado era tranquilizador, mas as emissões têm aumentado muito e não existe um recenseamento geral das fontes. Outros investigadores, como os da Universidade de East Anglia, secundam a preocupação pelo ritmo de aumento e temem a degradação da situação.

Além disso, os novos CFC apresentam um potencial de efeito de estufa mais alto do que o dos CFC proibidos. O seu efeito de aquecimento foi calculado em 2020 como sendo aproximadamente igual ao das emissões totais de CO2 de um país como a Suíça ou 150% das emissões de Londres. Estaremos a limpar com uma mão e a sujar com a outra?

 

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