"VOO DA CEGONHA". Apresentada na Exposição Internacional de Lisboa, em 1998, esta obra foi concebida por José Manuel Castanheira, cenógrafo, arquiteto e pintor, natural de Castelo Branco. Depois da Expo'98, ofereceu-a à cidade. Encontra-se há dezenas de anos num estado lastimável no estaleiro do Município de Castelo Branco. Apesar dos apelos, continua lá, sem informação que explique porquê e para quê. Imperdoável. É sempre tempo de dar a mão e fazer o que não foi feito.
ANTENAS POR CATA-VENTOS. Repito a ideia apresentada em diversas ocasiões e nesta página: Substituição gradual das inúteis antenas de televisão (chamávamos-lhes espinhas de peixe) por cata-ventos. Cata-ventos que podem repovoar os telhados da cidade com imaginação. Com História e histórias com arte. Castelo Branco pode ser cidade de cata-ventos. Pensem nisso. Já agora, voltem a içar o cata-vento do século XVIII que, devido a obras, foi apeado do telhado do edifício do Museu Francisco Tavares Proença Júnior que, desde 1971, ocupa o antigo Paço Episcopal.
JOÃO ROIZ DE CASTELO BRANCO. Em 2015, quinto centenário da morte do poeta albicastrense, foi proposta ao executivo camarário a realização de várias atividades em torno da obra do autor de “Cantiga Partindo-se”. Entre elas, a conceção de uma escultura alusiva. Foi construída e colocada entre a estação da CP e o novo jardim que ocupa o espaço onde funcionou a Metalúrgica. Um lugar de partidas e chegadas. O problema é que passamos pela obra e mal avistamos sinais de João Roiz e da sua “Cantiga Partindo-se”, a que a escultura alude. Fechada lateralmente por paredes de pedra, no interior encontra-se uma figura humana sussurrando palavras do notável poema. Quem passa, vê um armário degradado que ressuma humidade até meio e, se quiser ver o seu interior, pode aperceber-se de que, em vez de abrir João Roiz e o seu poema à cidade, fecha-os entre paredes que esmagam o que deveriam libertar.
“SUICIDÁRIO”. Durante a vigência do Programa Pólis, a empresa Tabaqueira ofereceu à cidade uma escultura que ficou colocada à entrada da, agora, Praça 25 de Abril. Há interrogações sobre para que serve uma obra de arte que a cidade não reconhece com
qualidade nem adequada ao local. Passados anos, o autor afirmou que o trabalho não estava concluído. Passados mais anos, nada aconteceu. A proposta para a sua colocação noutro local não teve seguimento.
CASTELO BRANCO, CIDADE DE POESIA. É cidade com muitos jardins. Por esse lado, o ambiente urbano está protegido e, se atrair mais habitantes, tem sustento para o futuro. Além de cidade de cata-ventos, podia ser, também, cidade de poesia. Em cada canto um poema. Em cada recanto um regato de poesia. Outros mundos, outros sentidos, outras sensibilidades, outra inteligência na forma de estar. Com atividades que os reflitam. Há anos que falo nisto.
MUSEU CARGALEIRO. O mestre faleceu em 2024 e nada aconteceu de substancial na cidade. Nem evocação, nem divulgação, nem aprofundamento do conhecimento sobre a vastíssima obra entregue aos cuidados da cidade.
MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA. Passaram quase onze anos sobre a transferência da gestão do ministério da Cultura para o Município. Deixou de ter diretor, quadros técnicos, programação de atividades anuais e plurianuais, serviços educativo, de conservação e restauro. As diligências de amigos deste Museu, criado em 1910, defrontam-se com vagas promessas não concretizadas. É caso único entre os museus que, no mesmo ano, foram objeto do mesmo tipo de gestão transferida. Há quase onze anos.