Empresa promotora do parque solar de Sophia avança com corte de um terço no projeto. Central da Beira fica sem efeito tal como foi apresentada.
Projeto reformulado vai ser submetido no início de outubro. Imagem DR
Os promotores do projeto solar Sophia reduziram em 35 por cento a área ocupada pelos painéis e o número de linhas de muito alta tensão de duas para uma, na proposta de reformulação do projeto que irá ser apresentada em outubro num novo período de consulta pública.
O projeto inicial da Lightsource BP previa a ocupação de 395 hectares, ficando com esta proposta nos 258 hectares. Segundo o resumo a que o Reconquista teve acesso todos os painéis previstos para o concelho do Fundão foram retirados do projeto e há também uma redução da mancha prevista para os concelhos de Idanha-a-Nova e Penamacor.
No concelho de Penamacor há um corte de 25 por cento na área ocupada pelos painéis e em Idanha-a-Nova totaliza menos nove por cento, com reduções semelhantes na potência instalada.
Neste novo desenho Penamacor ficará com 129 hectares de painéis e Idanha-a-Nova com 123 hectares.
A comissão de avaliação da Agência Portuguesa do Ambiente tinha chumbado a proposta inicial após identificar impactos negativos, como foi noticiado no final de dezembro.
“Nós acreditamos que o projeto que agora estamos a entregar é um projeto com muita qualidade. É um projeto que está fora das zonas sensíveis, vamos ocupar 70 por cento da implementação dos painéis em zona de eucaliptal e estamos fora das zonas de elevada aptidão agrícola”, disse ao Reconquista Miguel Lobo, o diretor-geral da Lightsource BP, que assegura que o projeto continua fora da Rede Natura e da Reserva Agrícola Nacional.
A empresa propõe ainda aumentar em cerca de 35 por cento as cortinas de árvores e arbustos junto a povoações e estradas, aumentando ainda a distância em relação às casas.
Promete que não irá abater um único sobreiro de grande porte, quando estava previsto abater cinco na primeira proposta.
A Lightsource BP apresenta ainda um plano de 10 iniciativas orçadas em 20 milhões de euros, que incluem eletricidade mais barata, apoios a bombeiros, instituições de solidariedade social, bolsas de formação, apoio ao pastoreio e promoção do turismo nos concelhos abrangidos.
Para setembro estão previstas mais três sessões públicas em Penamacor, Idanha-a-Nova e Fundão, depois de terem sido realizados dezenas de encontros com entidades locais e a sociedade civil.
A Lightsource BP anunciou ainda o abandono do projeto da central fotovoltaica da Beira, que estava prevista para os concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova.
“Foram identificadas muitas restrições que fizeram reduzir significativamente a capacidade do projeto e que o tornou inviável do ponto de vista financeiro”, justifica Miguel Lobo.
A empresa pondera avançar com o projeto noutra localização.
O aumento da temperatura, a agressão aos solos e linhas de água, o abate de árvores e desaparecimento de espécies, tudo pesa no outro prato da balança.
Consulta pública da central solar terminou com número recorde de opiniões. Comunidade da Beira Baixa, Naturtejo e PCP juntam-se aos opositores. Empresa reafirma salvaguarda ambiental.
Lightsource BP está disposta a ouvir autarquias e comunidades locais. Projeto em Idanha, Penamacor e Fundão tem gerado muita contestação.
Gestor da Lightsource BP Portugal promete reunir com todos para reformular o projeto. E aponta o dedo à “desinformação”.
Recusa do projeto Sophia estende-se a outros promotores de parques solares e produtores florestais.
Ambientalistas temem que nova consulta pública fique à margem da opinião pública.
Iniciativa irá avançar independentemente da concretização do Sophia, dizem os promotores.