Confesso: nalguns dos últimos artigos que escrevi, pedi ao chatGPT pequenas orientações: que me refinasse uma ou outra ideia que tinha escrito, que me desse um título para um artigo ou simplesmente uma pequena investigação ou informação. E foi assim, que adquiri a perceção das vantagens e benefícios desta ferramenta ou das suas limitações e desvantagens.
Vejamos: permite acesso rápido à informação (na educação, na cultura, na saúde, na economia…); apoio ao estudo e ao trabalho (resumir textos, tirar dúvidas, …); estímulo à criatividade (útil para escrever textos, criar projetos e esquemas ou mesmo códigos de programação); eficiência e economia porque pode poupar muito tempo em pesquisas e organização de informação. E podemos encontrar facilmente muitas outras vantagens. Esta ferramenta está a tornar-se fundamental nesta sociedade em constante mutação e evolução. A inteligência artificial, desde que bem utilizada, pode ser uma arma poderosa para o desenvolvimento equilibrado das sociedades. A grande revolução em marcha.
Mas, nem tudo são rosas nem contos de fadas onde os personagens vivem felizes para sempre. Vejamos: nem sempre é cem por cento correto, pois pode fornecer informações incompletas ou com erros factuais. Há necessidade de confirmar fontes credíveis e atualizadas. Não substitui especialistas em áreas mais sensíveis ao conhecimento, como, saúde, finanças ou direito. A sua utilização excessiva pode colocar questões éticas e reduzir a autonomia para pensar, refletir ou pesquisar. E o perigo de plágio e ocultação de autoria? E o risco de se construir um conteúdo artificial e não intelectual?
Se não refinarmos bem as questões que colocamos ao ChatGTP, embora este possa personalizar repostas, haverá sempre uma falta de contexto pessoal e um estilo impessoal. Onde fica a interação humana? Onde ficam as emoções? Quando o contexto ou a intenção não são bem expressas e entendidos pela ferramenta, as respostas não serão relevantes ou úteis e poderão levar a tomada de decisões equivocadas.
E ainda há perigos maiores (basta ver o que se passa todos os dias mundo) como, por exemplo, a disseminação de preconceitos culturais e sociais e de desinformação. Todos os dias temos exemplos na política, na religião e nas ideologias. O ChatGPT pode reproduzir preconceitos que levam a discriminação de um indivíduo ou grupo social. O fato de o algoritmo ter sido treinado com diferentes conteúdos disponíveis na Internet, incluindo posts em redes sociais que muitas vezes são elaborados com discurso de ódio, percepção enviesada da realidade ou sem uma fundamentação teórica, pode levar à produção de respostas e informação totalmente tendenciosas.
O ChatGTP é, pois, uma ferramenta poderosa para aprendizagem, produtividade e criatividade, mas deve ser usado como apoio e não como fonte única ou substituto de outras fontes. A ferramenta é útil para ganhar tempo e organizar ideias, mas deve sempre passar pelo filtro crítico de quem a usa e deve-se manter uma ética profissional e intelectual.
Ferramentas como o ChatGPT e outras, são muito recentes, e como tal, ainda não há direcionamentos precisos sobre o seu uso, impactos ou mesmo legislação específica para as consequências de um uso indevido ou prejudicial.
Para garantir o uso responsável das tecnologias de IA, é imperativo que as organização/governos criem documentos centrados nos valores de transparência, sustentabilidade, privacidade, justiça e responsabilidade.