Estudo do Sindicato dos Professores da Região Centro concluiu que as dificuldades não se resumem à falta de professores.
Foto arquivo Reconquista
Um estudo promovido pelo Sindicato dos Professores da Região Centro em mais de metade dos agrupamentos e escolas não agrupadas no distrito de Castelo Branco concluiu que as dificuldades de funcionamento das escolas “não se resumem à falta de professores”.
Segundo este sindicato, persistem problemas estruturais “relacionados com recursos humanos, equipamentos, edifícios, condições térmicas, transportes, que condicionam a qualidade do serviço educativo”, apontando “insuficiente investimento” nesta área.
O inquérito foi preenchido pelos diretores das escolas e os resultados foram obtidos no início de setembro, antes do começo das aulas.
No último ano letivo 66 por cento dos inquiridos não sentiram problemas de falta de professores e nos agrupamentos onde houve anomalias mais de um terço dos diretores apontaram a sobrecarga horária como o problema mais expressivo. Um quarto dos inquiridos registaram turmas temporariamente sem atividades letivas e outro quarto sentiram constrangimentos em grupos de recrutamento.
Para este novo ano letivo, um quarto dos agrupamentos que responderam esperavam dificuldades de preenchimento de vagas. As causas mais apontadas são a perda de atratividade da profissão, falta de candidatos, baixos salários, envelhecimento do corpo docente ou os custos com a habitação e deslocações.
Na pergunta sobre os equipamentos informáticos apenas 16 por cento dos diretores disseram que tinham todos os equipamentos adequados, com cerca de 67 por cento a assumirem que os computadores e outros equipamentos informáticos são insuficientes. Menos de metade dos agrupamentos que responderam têm simultaneamente boas condições de internet e equipamentos as salas de aula.
O inquérito revelou ainda que menos de metade das salas de aula estão preparadas para enfrentar o frio e apenas 25 por cento está apta para o calor.
No caso dos transportes, metades dos diretores falam em problemas na adequação da rede e dos horários, com um terço dos agrupamentos com alunos que viajam mais de 20 quilómetros para chegar à escola.
O sindicato conclui que a realidade das escolas “não se apaga com propaganda” e que as respostas aos problemas “continuam a não existir”.