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Editorial: Agressão

Artur Jorge - 23/10/2025 - 9:22

A tarde do último domingo começou cor-de-rosa, numa manifestação de sensibilidade na luta contra o cancro e expressando solidariedade pelo momento mais difícil que André Matias (um guerreiro) atravessa. Mas terminou cinzenta, manchada pela agressão do capitão do CD Alcains ao árbitro.

O episódio passou-se num recinto desportivo do distrito. Mais que a molesta física, está o dano moral. Beliscar pela força a autoridade de um juiz é ferir uma das mais sagradas leis do jogo e da responsabilidade civil de cada um. Independentemente da tarde mais ou menos acertada das decisões.

O que as imagens mostram é dois timoneiros (capitão e treinador) descontrolados pela emotividade da circunstância. Os nervos à flor da pele acabaram por coartar o habitual discernimento de Ricardo Costa. Até nas declarações produzidas a quente.

A classe da arbitragem (e bem!) reagiu prontamente a condenar a agressão. O CD Alcains fê-lo um dia depois manifestando “total repúdio e desaprovação” pelo incidente. E recordando que o jogador “reconheceu de imediato a gravidade da sua atitude”. Mais que o ato irrefletido e não menos grave por isso, seria não o reconhecer. “Pede desculpas e assume as consequências”.

No meio de tudo, passou quase ao lado a forte mensagem transmitida de coração por um menino que convive em casa e no campo com algo bem mais importante que a bola: “Vivam cada dia como se fosse o último, porque nunca sabemos quando realmente será. Ando aqui para me divertir e esquecer o resto”, Afonso Matias.

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