Já aqui escrevi sobre incêndios e não me vou repetir. Gostaria hoje de enaltecer que, apesar de todo o sofrimento que tem lugar no território beirão causado pelos mesmos, existe um exército «invisível» de incansáveis formiguinhas anónimas que ajudam e voltam a ajudar aqueles que fazem frente à calamidade dos fogos florestais.
Jovens e menos jovens, malta das comissões de festas, uns mais organizados, outros mais aleatoriamente, escuteiros, empresários da restauração e outros setores, enfim, um número sem fim de pessoas que a fazer sandes, a levar água, fruta, leite e outros mantimentos e bens ajuda a criar uma rede de retaguarda para que nada falte na linha da frente aos que, infatigavelmente, também vão dando tudo de si.
Tem sido este o espírito de solidariedade e entreajuda que um pouco por toda a região se tem feito sentir. É uma outra forma de «acudir ao fogo» em que ninguém desarma e cuja utilidade é reconhecida por todos.
Nestas horas de aflição, o coração dos beirões é enorme e a sua generosidade transborda. Muita desta gente, gente boa, dá o que tem e o que pode, sem esperar nada em troca, enquanto assiste à devastação do seu território.
A paisagem mudou de cor, o ambiente está cheio de fumo, mas a resiliência é a mesma. O fogo leva quase tudo. Menos a esperança. A malta resiste. Até quando?