No país das raspadinhas e de outros males sociais que teimam em enraizar-se, voltou a haver este ano menos jovens a entrar no ensino superior.
Os dados recentemente divulgados referem-se apenas à primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior, mas já dão uma ideia concreta sobre esta circunstância.
Se quiserem falar de coisas verdadeiramente importantes, esta é uma delas. O chamado «elevador social» que comummente serve para «equilibrar» o fosso entre ricos e pobres tende a esboroar-se, se estes resultados vierem a virar tendência.
As causas são várias e merecem ser analisadas, profundamente, mas o aumento desmesurado do custo de vida, sobretudo ao nível da habitação (mas também se pode acrescentar a alimentação, a energia, etc, etc.) estará certamente entre elas.
A situação tende a ser mais periclitante no interior do país. Sustentar um filho e às vezes dois a estudar em universidades e politécnicos, sobretudo se tiverem de se deslocar para o litoral, coloca os cabelos em pé aos pais que se veem cada vez mais aflitos para levar por diante tamanha façanha.
Os rendimentos das famílias estão cada vez mais depauperados face ao constante aumento das despesas, sem que do lado dos rendimentos haja quaisquer boas notícias no horizonte.
O período de férias está a um par de semanas do fim e o regresso às aulas também no ensino básico e secundário é outra vez ensombrado pela falta de professores e outros males que infelizmente se vão tornando habituais.
Sabendo nós que a Educação é um dos pilares da nossa sociedade, nada disto é de somenos importância.