Como bem sabemos, somos presos por ter cão, mas também presos por não ter. Toda a gente sabe que a frase se usa quando alguém é censurado ou responsabilizado faça o que fizer.
O ditado popular acaba por ser mais do que isso, é uma reflexão profunda sobre o ser português. Somos assim, não há nada a fazer. É algo que não muda.
Com o aproximar do Festival dos Sabores de Perdição que começa a 3 de setembro, lembro-me do ditado. Isto porque o município era frequentemente criticado por «só gastar dinheiro em festas e em grupos de fora com grandes orçamentos». Vêm as tempestades, levam tudo à frente e a opção passa por reduzir orçamento e apostar na prata da casa. O que é que acontece? Muito fácil de adivinhar, «não se investe como deve ser, não se cria dimensão e não se traz um cartaz em condições».
Era tão fácil de adivinhar que assim fosse que até chateia. É também para isto que servem as redes sociais, para a todo o momento se dizer uma coisa e o seu contrário, com a pesporrência justiceira típica da boçalidade vigente.
Independentemente da opinião de cada um, é justo que se concorde com uma posição ou com outra, o que fica na ideia é o crescente número de cata-ventos que por aí pululam, travestidos de intelectuais de pacotilha com textos escritos pela Inteligência Artificial (como se não soubéssemos ler!).
É a aparência de sabedoria que levou a outro ditado: «Um burro carregado de livros é um doutor».