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Editorial: Invasores

José Júlio Cruz - 10/09/2026 - 9:02

A quantidade inusitada de espécies invasoras que pululam nos nossos rios vai para lá de preocupante. Não é apenas nos rios que isso acontece, também nos bosques (aves, árvores e plantas), mas centremo-nos agora no que se passa nos cursos fluviais.

Achigãs, carpas, percas europeias e várias espécies de peixe-gato (em que o siluro é o expoente máximo da voracidade) reduziram em poucos anos quase à extinção as espécies autóctones que povoavam os rios portugueses e europeus. Qualquer pescador desportivo ou lúdico sabe que barbos, bogas, escalos e bordalos (só para citar alguns) há muito que praticamente não se veem. É até proibida a captura e de devolução obrigatória a maioria delas, sendo inversamente de devolução proibida a maioria das espécies invasoras.

Por mais estudos que se façam (e vão-se fazendo alguns, ver página 3 desta edição do Reconquista) parecem inexoravelmente condenadas a desaparecer as habituais residentes em confrontação direta e desigual com as invasoras (a maior parte delas predadoras).

O problema é grave e mais grave se torna quando a sua introdução é efetuada de forma consciente por aqueles que muitas vezes se arvoram como defensores da natureza, os próprios pescadores desportivos e lúdicos. Poderá haver outros fatores alheios à mão humana, mas alguém acredita que será só isso?

Não brinquemos com coisas sérias. Basta verificar como é que os siluros chegaram à Península Ibérica para perceber que assim é.

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