Começou o campeonato do mundo de futebol e com ele começou também a segregação. Árbitros, jogadores, familiares, mas sobretudo adeptos têm sido impedidos de entrar nos Estados Unidos ou visto dificultada essa intenção.
O desporto rei está ao sabor dos caprichos de uma administração que reina a seu belo prazer, como se não houvesse regras e leis a respeitar. O espírito desportivo e a urbanidade foram suspensos por umas semanas.
O caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan ou a forma como foi (des)tratada a seleção do Irão depois do seu jogo inaugural são mais do que suficientes para fazer corar de vergonha qualquer cidadão digno desse nome. Ou a mãe e os familiares do guarda-redes de Cabo Verde que também não puderam ir vê-lo jogar. Isto em pleno século XXI, depois de décadas e décadas, séculos, de luta pela igualdade entre os homens e pela democracia, num país que se diz o paladino desses valores.
A FIFA assobia para o lado e o seu presidente faz-se de morto. A veneração ao poder e ao vil metal tem limites, ou devia ter.
O que nos vale é que dentro do campo, pelo menos até ao momento em que se escrevem estas linhas (terça-feira), tudo tem corrido pelo melhor e os Davides têm feito suar os Golias. É por isso que o futebol é o melhor e o maior desporto do mundo. Dentro do campo todos são iguais e têm as mesmas hipóteses.
Como é bonito este desporto. Não serão os dirigentes que o vão conseguir estragar.
A História não pode ser feita por idiotas, mas alguns idiotas vão ficar na História.