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Editorial: Pardais

José Júlio Cruz - 02/07/2026 - 9:04

Em poucas décadas, as crianças e jovens de tenra idade (até à adolescência) passaram de andar a brincar na rua para ficarem «enjaulados» ou em casa ou em grupos organizados de tempos livres ou organizações do género.
Glosando com o poema de José Carlos Ary dos Santos, tão bem interpretado por Carlos do Carmo (Os Putos), já não aparecem «bandos de pardais à solta», porque os bandos agora, perdoem-me a expressão, estão nas gaiolas que nós adultos lhes criámos, ou às quais os «condenámos».
Eu que sempre fui um «selvagem» e que em tempo de férias não «passava cartão» aos meus pais para onde ia e o que fazia, e com quem, só sabia que tinha de estar em casa às 19H00 porque era hora de jantar, vejo-me agora aflito para analisar e entender o atual fenómeno de tanta gente ordeira e «bem comportada». Quando me deslocava de férias para fora de casa com os amigos avisava que voltava dia tal e, se me lembrasse, lá vinha um postal a meio da temporada a dizer que estava tudo bem e que gostava muito de toda a gente. Graças a Deus que não havia telemóveis. Estávamos bem tramados.
Tenho três filhos (dois já voam sozinhos) e a única coisa que desejo é que sejam felizes, que trabalhem e que pensem pela própria cabeça. Talvez esteja a pedir demasiado, mas não me estou a ver a viver-lhes a vida constantemente e a guardá-los. 
Provavelmente estou errado e irei pagar por isso. Ou não. 

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