O Museu da Presidência da República inaugura ainda este mês uma exposição sobre António Ramalho Eanes. Curiosamente, dando corpo a um pequeno núcleo que o próprio criou no seio do Palácio de Belém aquando da sua passagem por lá enquanto Presidente.
O general alcainense foi o primeiro a ser eleito para aquele cargo por sufrágio direto e universal no dia 27 de junho de 1976, há precisamente 50 anos (ver notícia na página 12 desta edição). A mostra ficará patente até final de junho e contempla um conjunto de documentos, fotos, ofertas e outros motivos de interesse que o próprio deixou em espólio ao país no decurso dos seus mandatos.
Sintomático é também o facto de a abertura desta mostra sobre uma das figuras incontornáveis da democracia portuguesa ocorrer em plena campanha eleitoral da segunda volta das eleições presidenciais deste ano, onde mais uma vez há um beirão a disputar o cargo. As circunstâncias do momento político assim o determinaram.
Cinco décadas depois da primeira eleição de Eanes, o país encontra-se de novo perante uma decisão sobre quem irá ser o próximo Presidente da República. A 8 de fevereiro se verá sobre quem recairá a responsabilidade de receber esse testemunho.
António Ramalho Eanes presidiu à nação num período nada fácil, mas da sua ação é consensual dizer-se que contribuiu sobremaneira para a estabilização da democracia portuguesa.