Estudo dos docentes Miguel Rebelo (esq.) e João Serrano
Um estudo realizado pelos docentes e investigadores João Serrano e Miguel Rebelo, da Sport, Health & Exercise Research, do Politécnico de Castelo Branco, com duas turmas do 1.ª Ciclo do Ensino Básico do Agrupamento Afonso de Paiva, vai de encontro ao já evidenciado na literatura investigativa, relativamente à importância do brincar durante a infância.
Os investigadores procuraram saber, através do projeto “Power of Play” (O Poder do Brincar), se o incremento de 1h de “brincar livre” diária durante o tempo letivo ao longo de cinco meses melhorava a competência motora das crianças.
Foram definidos dois grupos, um experimental (alunos de uma turma do 3.º ano) que na sua jornada diária escolar tiveram uma hora de brincadeira livre fora da sala de aula, sob a supervisão da professora (Paula Lino) e um grupo de controlo (alunos de outras turmas do 3.º ano) que no mesmo período de tempo desenvolveram o plano semanal definido no calendário escolar, sem o suplemento da hora de “brincar livre”.
Foi aplicada a bateria de testes “Motor Competence Assessment”, para a avaliação quantitativa da competência motora das crianças. E ouvida a opinião da professora envolvida e dos pais sobre o projeto.
Os resultados demonstram que a evolução da competência motora das crianças do grupo experimental foi significativamente melhor que o das crianças do grupo de controlo. As crianças que tiveram o incremento de uma hora de brincadeira diária melhoraram os seus níveis de atividade física.
A professora revelou que o projeto foi importante na melhoria dos resultados dos alunos e na sua forma de estar dentro da sala de aula, notou que as crianças ficaram mais atentas, mais tranquilas e com maior empenhamento nas tarefas.
Os pais mostraram-se muito satisfeitos com o projeto, pois também eles sentiram que o comportamento dos filhos após a jornada escolar se modificou, ficando mais calmos, com menos ansiedade na realização das tarefas relacionadas com os trabalhos escolares a realizar em casa.
O estudo conclui que o brincar está associado ao aumento dos níveis de atividade física diária das crianças, tão importante para a sua saúde e recomendado pelo Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, ou no plano de ação para a atividade física 2018-2030 da Organização Mundial de Saúde e relatório da OCDE (2023). Melhora os níveis de competência motora… e contribui para a melhoria dos resultados escolares.
Os resultados apurados vão também de encontro do que tem sido defendido pelo professor Carlos Neto, quando refere que “o aumento do brincar livre na escola resulta em melhor aprendizagem, maior autonomia, liberdade e satisfação, permitindo uma vida em sociedade mais equilibrada e mais feliz por parte das crianças”.
O projeto desemboca no estipulado pela Declaração Universal dos Direitos da Criança, quando refere que “o direito de brincar é tão importante como o direito à saúde, à educação ou à segurança, promovendo não só o desenvolvimento motor, como o desenvolvimento sensorial, cognitivo, criativo, e sobretudo emocional”.
Sabe-se que as crianças vão tendo menos tempo fora da escola, menos disponibilidade dos pais para a inter-relação com os filhos, mais acessos ao mundo digital e menos oportunidades para brincar livremente, sendo por isso a escola o local apropriado e conveniente para essa oportunidade.
(anos 60).