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Um otimismo irritante

Florentino Beirão - 01/06/2016 - 14:32

O governo socialista de António Costa, apoiado pelos partidos à sua esquerda, completou seis meses de vida. Altura para se tentar fazer um breve balanço da chamada “geringonça”, pelas forças de direita. Aparecendo aos olhos de muitos, como a quadratura do círculo, através das sábias qualidade do primeiro - ministro e do seu “otimismo crónico e às vezes ligeiramente irritante”, o Presidente Marcelo dixit, certo é que tem conseguido manter a “vaca a voar”, já lã vão seis longos meses.

Com a determinação de se virar a página da austeridade, e reverter em cascata as pesadas e polémicas medidas do governo de Passos Coelho, António Costa tornou-se a imagem de marca do seu Governo, com um protagonismo esmagante. Tudo gira à sua volta e às ordens da sua palavra, distribuindo os tempos de antena com o irrequieto Presidente da República que tem coberto as medidas do Governo, pugnando pela duração da geringonça.

Tudo começou com o acordo político com o BE, com o PCP e com os PAV. Pela primeira vez em democracia, o sagaz António Costa conseguiu o impensável, através de um acordo político para sustentar um governo do PS. Encontrados os mínimos denominadores comuns entre estes partidos, tudo se tornou mais fácil. Com a vitória dos Orçamentos aprovados, o retificativo que permitiu a resolução do Banif e o Orçamento do Estado de 2016, seguiu-se a aprovação da temível Comissão Europeia, acompanhada de alguns alertas ao Governo. Mesmo o Programa Nacional de Reformas foi superado, apesar de Bruxelas torcer o nariz. As eleições em Espanha e a grave crise dos refugiados do médio - oriente e do norte de África têm permitido que as possíveis sanções a Portugal tenham sido empurradas, lá mais para diante.

Com a recente paz na estiva, após greves tão longas e perniciosas para o erário público, Costa, no prazo por ele definido, resolveu a complicada e arrastada situação, somando mais um trunfo ao seu poder de intervenção política, junto dos poderosos sindicatos do setor.

Não se intimidando, o Governo, com as recentes medidas do “Simplex” da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Marques, não deixou dúvidas de que se encontra disposto a apostar forte na guerra à pesada burocracia.

Quanto aos ventos ameaçadores de tempestades, não têm soprado do mortiço PSD de Passos ou do irrequieto CDS de Cristas, mas sobretudo de Bruxelas e das forças sociais e da Igreja, no caso dos colégios com contrato de associação.

Com sondagens confortáveis, o Governo de Costa pode sentir-se sólido e encarar o futuro com algum otimismo. O grande problema com que se terá de confrontar nos próximos tempos, poderá ser com os indicadores económicos que apontam já para uma eventual derrapagem. Com o desemprego a subir ligeiramente para os 12,4%, e as previsões de crescimento do Governo, acima das do Banco de Portugal, não será fácil atingir os seus propósitos. Para além do Presidente da República dizer já não confiar nas contas.

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