Segunda vitória por números esclarecedores indicia trabalho e qualidade no plantel. Há arestas para limar, mas nesta altura da época pouco mais se poderia exigir.
Com um futebol apoiado em boas triangulações ofensivas, sem grandes precipitações na hora de criar espaços e procurar desmarcações laterais e diagonais, o BC Branco encostou às cordas logo nos minutos iniciais o segundo adversário que recebeu no Vale do Romeiro. E foi sem grande espanto que Adul Seidi, logo na primeira dezena de minutos, inaugurou o marcador. Fruto disso mesmo e da visão de jogo do extremo Ballack que serpenteou pela direita, antes de descobrir no coração da área o "matador" guineense que já leva quatro golos em dois jogos.
Até à meia hora de jogo, a equipa comandada por Ricardo António deu a ideia de que o avolumar do resultado seria o natural desenrolar da partida. Mas, o último quarto de hora da primeira parte mostrou que isso não seria bem assim e, ou por alguma desorientação momentânea dos locais, ou por empertigamento de um Carapinheirense que, importa frisar, mostrou um bom futebol e nunca deixou de lutar, a hipótese de acontecer o empate pairou até ao intervalo.
Reposicionadas as peças no xadrez albicastrense, o equilíbrio voltou a ser uma constante nos segundos 45 minutos, ainda que a paulatina subida das linhas forasteiras no terreno, à procura de um golo que nunca apareceu, fosse abrindo espaços na retaguarda que eram aproveitados pelo BC Branco para aparecer, perigosamente, na cara de Paulo Santos. Curiosamente, foi de bola parada que apareceram os restantes golos, o primeiro de penalti concretizado por João Ventura e o segundo na sequência de um canto, onde Adul encostou para a rede depois de Dani Matos ter aparecido a cabecear ao primeiro poste, num lance que já é também uma das suas imagens de marca.
O resultado até podia ter-se avolumado ainda mais, o que, em abono da verdade, também seria um castigo demasiado severo para os liderados por António Cortesão que, repita-se, mostraram valor e vontade de fazerem melhor.
Face ao primeiro encontro do campeonato, o BC Branco, jogando com o mesmo onze inicial, mostrou que é capaz de ir por aí fora, embora sejam ainda necessárias algumas consolidações, sobretudo na manutenção de um ritmo de jogo mais constante. Ricardo António soube limar algumas arestas ao intervalo, porque a equipa chegou a perder-se no final da primeira parte, quando tudo indiciava que poderia chegar ao segundo com facilidade.
Nessa altura, a experiência de Edgar na defesa e Dani a meio campo foram essenciais para equilibrar as coisas, evitando-se males maiores e apoiando os mais jovens do plantel a não perderem a posição e a atitude.
TREINADORES No final da partida o técnico albicastrense referiu que "entrámos bem no jogo e fizemos aquilo que nos competia e era importante, marcar cedo para impedir que o nosso adversário se começasse a fechar lá atrás". Ricardo António reconhece que "estranhamente, a nossa equipa depois andou para aí uns quinze a vinte minutos em que permitiu que o Carapinheirense estivesse melhor até ao intervalo".
Na segunda parte, como refere o mesmo responsável, "acabámos por controlar completamente o jogo, fizemos mais dois golos e sinceramente podíamos até ter feito mais alguns", pelo que "a nossa vitória nunca esteve em causa". Ricardo António frisa, contudo, que "se tivéssemos marcado mais também era algo pesado para o adversário que lutou para conseguir outro resultado".
Mas, "o essencial era vencer e conseguimos isso com mérito. Estamos a começar a dar os primeiros passos e ainda temos muito para evoluir como equipa", concluiu.
Já o técnico adversário, António Cortesão, preferiu destacar que "a derrota foi pesada, porque até aos vinte minutos da segunda parte o jogo foi bastante equilibrado". Aí, em seu entender, "o árbitro resolveu marcar um penalti a favor do Castelo Branco e resolver o jogo... não estou a colocar em causa a vitória do BC Branco, mas assim o jogo acabou mais depressa".
"Chegámos aqui confiantes, temos uma equipa jovem e com trabalho e com vontade iremos certamente fazer um bom campeonato", sublinhou, acrescentando que "sabemos que o BC Branco é um forte candidato à subida, mas batemos bem o pé e não saímos daqui envergonhados". "O nosso objetivo passa por não descermos de divisão", concluiu.
ESTÁDIO VALE DO ROMEIRO
BC BRANCO 3 CARAPINHEIRENSE 0
INTERVALO 1 - 0
MIGUEL LÁZARO
ANDRÉ CUNHA
ISSOUF
EDGAR
FÁBIO PAIS
PATAS MORENO
T. FERNANDES
(R. NOGUEIRA 60')
DANI
JOÃO VENTURA
BALLACK
(ADRIANO 69')
ADUL SEIDI
(G. VARELA 72')
R. ANTÓNIO
PAULO SANTOS
NEVES
GUILHERME
LANDRY
PEDRO LUÍS
SEIDY
H. OLIVEIRA
CANOSO
GUSTAVO
(J.P. 69')
CLEITON
FARIA
A. CORTESÃO
MARCADORES ADUL (9' E 68') JOÃO VENTURA (63')
DISCIPLINA CLEITON (34') ANDRÉ CUNHA (36') LANDRY (63') GUILHERME (67') E FARIA (88').