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Fátima: A devoção que move o peregrino

José Júlio Cruz - 16/05/2024 - 10:30

Cada um terá as suas motivações, mas a devoção é um lugar comum. Cláudio Fazenda foi a Fátima a pé e partilha a experiência.

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Foto Manuel António

Centenas ou mesmo milhares de peregrinos foram desta região de Castelo Branco até Fátima a pé no decurso da última semana para assistirem às celebrações do 13 de Maio no santuário.

A devoção a Nossa Senhora foi o mote comum que juntou estas pessoas, embora as motivações de cada um para a caminhada peregrina sejam as mais variadas.

Nesta região do país é habitual partirem inúmeros grupos que cumprem o trajeto previamente estudado e logisticamente enquadrado ao longo dos meses que antecedem a peregrinação. Hoje em dia, a maior parte dos peregrinos segue neles integrados.

Este ano, também como tem sido usual nos últimos anos, um elemento do Reconquista integrou um desses grupos (o que normalmente é conhecido como o grupo do CCD do município albicastrense).

Cláudio Fazenda, 42 anos, foi acompanhado da esposa Patrícia. Normalmente fazem juntos a peregrinação a Fátima a pé. “O que nos move anualmente neste caminho até ao santuário mariano é a devoção à Senhora de Fátima”, explica, acrescentando já depois do regresso feliz a casa que “fomos agradecer por tudo aquilo que faz por nós quotidianamente”.

O esforço físico e psicológico que a peregrinação implica “serve também de meditação, de introspeção e de balanço interior”, refere Cláudio Fazenda. Ao longo das muitas horas de caminho (saíram de Castelo Branco às 4H00 de dia 9 e chegaram ao santuário às 16H30 de dia 12) há tempo para tudo e são muitos os momentos de entreajuda e de criação de laços de amizade, mas também de convívio entre todos os peregrinos. “Também há momentos difíceis que só um ombro amigo ajuda a superar. Um ombro e a fé que nos move e que cada um leva consigo”, frisa o peregrino de Escalos de Baixo.

As pequenas mazelas da viagem obrigam por vezes a alguns curativos que as pessoas que acompanham logisticamente cada grupo ajudam a sarar no decurso e no final de cada etapa. “Tenho de dar aqui um testemunho sobre esse assunto, não pude deixar de reparar que no nosso grupo ia uma enfermeira como peregrina e no final de todos os dias, apesar de também ela ir cansada e a precisar de recuperar, nunca parou até primeiro ajudar todos aqueles que necessitavam de alguma assistência ou cuidado”, faz questão de sublinhar Cláudio Fazenda.

São também momentos como este que entende “serem úteis para nos ajudar a crescer como seres humanos e a aprendermos com estas atitudes para sermos também nós melhores pessoas”.

 

Cláudio e Patrícia Fazenda à chegada ao santuário

 

Ao longo do percurso, as dormidas e as refeições estão acauteladas em locais previamente definidos pela logística de cada grupo. Neste caso concreto as paragens foram efetuadas em Sobreira Formosa, Cernache do Bonjardim e Seiça. Pelo caminho foi também visível e a presença e a ajuda das forças de segurança, nomeadamente da GNR. “Na forja estará até a eventual criação de uma aplicação informática para que as autoridades saibam quais os caminhos que os peregrinos seguem e dessa forma consigam fazer chegar informação atempada e até ajuda, caso necessário, de uma forma mais célebre”, adianta o mesmo peregrino beirão.

Cláudio e Patrícia Fazenda ficaram logicamente consolados com a missão que mais uma vez desenharam no seu íntimo e cumpriram dentro do que tinham previsto. Como revelam ao Reconquista, ainda estão a assimilar muito do esforço efetuado, as experiências e momentos vividos, mas estão certos que, dentro de dias, começarão já a pensar, ainda que interiormente, na próxima ida a Fátima a pé.

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