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Ideias e Factos: Tudo legal, tudo imoral

Agostinho Dias - 14/04/2016 - 16:08

O caso “Papéis do Panamá”, continua na ordem do dia.

A investigação, conduzida por mais de 100 órgãos da comunicação social, com mais de 370 jornalistas, e que abrange um período de quase 40 anos, descobriu mais de 214 mil empresas “offshore”, ligadas a mais de 200 países.

Em 11,5 milhões de ficheiros secretos da empresa Mossack Fonseca registam-se milhares de milhões de dólares que deste modo fogem ao fisco nos seus países de origem.

São donos destas fortunas 140 políticos de mais de 50 países, são nomeados familiares e associados de políticos e chefes de Estados, celebridades, desportistas, barões da droga, organizações terroristas, mais de 500 bancos e suas subsidiárias, e milhares de empresas.

De Portugal diz-se que há 34 pessoas referenciadas, 244 empresas, com 255 acionistas.
Os donos destas fortunas vêm dizer que os offshores são legais e foram criados precisamente para permitir a fuga ao fisco dos capitais ali depositados.

Não lhes compete averiguar se esses capitais vêm do tráfego de droga ou de armas, se são fruto da corrupção ou do roubo, da transação de diamantes, ou de venda de arte, ou de outros negócios escuros; isso é missão de cada país… Os que para ali levam o dinheiro apenas têm de se entender com o seu país, e uma vez ali depositado nada mais pode acontecer…
Se é tudo legal, tudo isto é imoral.

"O Papa Francisco diz que a corrupção é de tal maneira imoral que não tem misericórdia, porque o corrupto nunca se converte, pois pensa que tudo o que faz é legal"

É imoral acumular fortunas fabulosas levá-las para estes paraísos, para financiar sabe Deus que projetos, e deixar gente a morrer de fome, a serem vítimas do tráfego de armas, ou de drogas, a serem condenadas à escravidão, subtraindo aos seus países o dinheiro que deveria servir para criar empregos e fazer progredir esses países.

O Papa Francisco diz que a corrupção é de tal maneira imoral que não tem misericórdia, porque o corrupto nunca se converte, pois pensa que tudo o que faz é legal.
O pior é que a Mossack Fonseca é apenas a ponta do iceberg.

Os paraísos fiscais da Europa (Suiça, Luxemburgo, etc), ou de outros pontos remotos do Mundo, acumulam sem dúvida fortunas iguais ou maiores do que estas, conservadas de modo mais egoísta, sem estarem ao serviço de ninguém que deles precise para a sua vida.

Tudo isto revela a imoralidade do que é o sistema capitalista, a tal “economia que mata”.

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