Quem estiver atento à nossa Assembleia da República facilmente fica com a impressão de que o mais importante para os que aí nos representam é a luta política entre eles. Isso nota-se nas comissões de inquérito com os desmentidos, acusações, revelações em que o se procura é o ataque partidário e não a descoberta da verdade. Isso revela-se com os temas tratados nas sessões plenárias onde os problemas chave do país ficam à margem: a situação no serviço nacional de saúde, a situação nas escolas, a situação nos transportes públicos, a situação nos tribunais, a inflação no preço dos produtos alimentares essenciais, entre outros são os assuntos que preocupam verdadeiramente os portugueses e que têm estado bastante à margem das dissertações parlamentares. Dá-nos a impressão que os senhores deputados estão mais preocupados com as sondagens sobre o sentido de votos dos portugueses, ou com saber se o sr. Presidente da República vai destituí-los do que com a problemática do país real. O governo, mesmo maioritário tem de prestar contas ao Parlamento que é o 1.º responsável pela orientação política do país. É essa orientação política que compete à Assembleia e não as discussões partidárias entre eles; é nessa orientação que eles nos representam a nós que os elegemos.
Como diz o n.º 226 da Evangelii Gaudium: “O conflito não pode ser ignorado ou dissimulado; deve ser aceite. Mas se ficarmos encurralados nele, perdemos a perspetiva, os horizontes reduzem-se e a própria realidade fica fragmentada. Quando paramos na conjuntura conflitual, perdemos o sentido da unidade profunda da realidade”. “A unidade é superior ao conflito. A solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo e desafiador, torna-se assim um estímulo à construção da história” – diz o nº. 228. Não pode prevalecer a polaridade e o contraste, embora sejam importantes.
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