Diminuíram os donativos para o Banco Alimentar na campanha a 28 e 29 de maio. Parece que, com a propaganda governamental, de que está a aumentar o rendimento dos portugueses, com a distribuição de mais riqueza, a população acha que já não faz tanta falta o Banco Alimentar Contra a Fome; muitos pensam que com o aumento de 25 euros brutos no ordenado mínimo nacional, de 611 mil pessoas, está resolvido o problema da fome no país.
Não podemos, contudo, esquecer os mais de 600 mil desempregados, e o aumento de outros impostos, taxas e serviços, que todos temos de pagar, e que fizeram subir o custo de vida. Um estudo recente do Eurostat revela que Portugal tem os preços de eletricidade e gás mais caros da União Europeia, tendo em conta os rendimentos dos portugueses comparados com os restantes países europeus. O peso das taxas e impostos no preço da eletricidade doméstica é o terceiro mais da U.E. depois da Dinamarca e Alemanha. Por sua vez os combustíveis, nomeadamente a gasolina e gasóleo vão subindo de preço de dia para dia, á medida que deixa de haver a concorrência a nível mundial; o peso dos impostos aqui representa 61% do preço/litro. A banca continua a fazer disparates que temos de cobrir com os nossos impostos, que neste momento representam 38% do Produto Interno Bruto. O estado continua a aumentar a despesa pública, não corta nos grandes benefícios da riqueza, grandes empresas e outros. Tudo isto faz com que o número de pessoas desfavorecidas, que precisam no banco alimentar, não esteja nada a diminuir. É bom não se estender a ideia de que saímos da crise e o problema da fome está resolvido. Os números da Cáritas não nos levam de modo nenhum a uma conclusão, pois a distribuição de refeições pelos necessitados está a aumentar em vez de diminuir. A solidariedade que temos tido para ultrapassar a crise, terá por isso de ser mantida por bem de todos.