Foi notícia que desde janeiro até maio passado o Serviço nacional de Saúde realizou quase 250.000 cirurgias, mais 20.000 do que no ano passado, graças aos incentivos à produção adicional, que dava mais 50% às equipas médicas, por cada operação extra realizada. Como isto só é válido até final deste mês, teme-se que a partir daí, porque não há incentivo programado, esta produção de serviço possa diminuir.
Temos ouvido as associações de agricultores a pedirem insistentemente apoios para a seca que prejudica terrenos e a criação de animais. Com a vinda do Óscar, tempestade tropical, já estão a pedir apoios para as enxurradas e águas inoportunas que prejudicaram as colheitas e a agricultura em geral.
Vai sendo cada vez mais corrente a atribuição de subsídios aos detentores de reformas baixas, às associações sociais e desportivas, às festas nas aldeias, para os mais variados fins, dependendo apenas da vontade de quem os concede e do pedido de quem os recebe.
Parece que estamos num país que vive de subsídio dependência, da concessão de apoios e de incentivos dados pela benevolência de quem nos governa. Só falta vermos o que fez Edorgan na Turquia: distribuir notas de 200 liras turcas, no dia das eleições, pelos votantes à boca das urnas de votos. Já não se sabe trabalhar sem estas “muletas”.
É perigosa esta política para os autarcas e governantes, e para o povo em geral; os primeiros porque são acusados de desbaratar dinheiro para festas e obras que pouco servem as pessoas e nem sempre com o mesmo critério em todas as ajudas; os segundos porque perdem a iniciativa individual, habituam-se a viver só deste modo e começam a fazer comparações do que destes aqueles e do que me dás a mim… Aí temos obras que custaram muito dinheiro, mas que não servem, pois foram feitas para satisfazer a vaidade dos que as engendraram. É preciso definir muito bem os critérios e as formas de ajudas de modo a não haver favores…
Agostinho Dias