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Ideias & Factos: O preço do dinheiro

Agostinho Dias - 21/09/2023 - 10:21

O Banco Central Europeu voltou a subir as taxas de juro do crédito bancário que agora estão a 4,5%, isto é, por cada mil euros que pedimos emprestados ao banco temos de pagar 45 euros. Não foi há muitos anos que os bancos impingiram cartões de crédito aos seus clientes para eles poderem gastar com crédito barato, o que foi uma ilusão para muitos. Agora passa-se precisamente o contrário: o dinheiro que o banco recebe dos depositantes a preços baratos, vende-os aos clientes a preços caríssimos. É a tendência capitalista de centrar nos bancos todo o capital.
Isto tem consequências práticas no dia a dia dos cidadãos. Quem está a comprar casa com crédito bancário, vê-se e deseja-se para pagar os juros… As empresas começam a lutar com a falta de liquidez por não poderem pedir dinheiro emprestado a este preço; a estagnação está aí. Na teoria pretende-se baixar a inflação, com a subida dos juros que impeçam de haver muito dinheiro a circular o que provoca a tentação de subir os preços. Só que a inflação continua a subir e o efeito é absolutamente contrário àquele que se pretende, e cai-se na recessão…
O dinheiro fez-se para circular, animar a economia e não para estar aferrolhado nos bancos; aí só tem despertado a cobiça dos banqueiros mal intencionados que, em conjunto com os políticos, de vez em quando fazem os desfalques. Vai-se para tribunal, mas nada se resolveu até agora…
Diz o nº. 202 do Evangelii Gaudium: “Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoleta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social não se resolverão os problemas do mundo. E no nº. 204 acrescenta: “a economia não pode mais recorrer a remédios que são um novo veneno…”.

Agostinho Dias
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