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Jornada Mundial da Juventude 2023. Para lá das polémicas dos altares

Florentino Beirão - 13/04/2023 - 9:22

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é considerada um dos maiores eventos da Igreja Católica. Os seus organizadores esperam reunir em Lisboa cerca de um milhão e meio de jovens do mundo inteiro, na semana de 1 a 6 de agosto deste ano. Esta Jornada é aberta a todos os jovens, com idades compreendidas entre os 14 e os 30 anos de idade. O lema para este encontro foi retirado do Evangelho de S. Lucas: “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (lc. 1,39)
Como se sabe pelos meios da comunicação social, desde há algum tempo a esta parte, não têm faltado polémicas à volta da sua realização, devidas sobretudo aos gastos sumptuosos que estavam para ser gastos com dois dos altares. A discussão visou ainda o orçamento total deste evento que poderá importar em 160 milhões de euros, pagos sobretudo pelo Estado, pelas Câmaras de Lisboa, Odivelas e Loures. Para se fazer face a estas despesas, se juntarão as inscrições e subsídios anónimos e o contributo dos patrocinadores, cujos montantes, como está acordado, não serão divulgados. O que é pena. O Bispo, responsável por esta iniciativa papal D. Américo Aguiar, auxiliar da diocese de Lisboa, numa entrevista, repetindo uma vontade do Papa Francisco, informou que estas Jornadas se destinam a todos os jovens, com o sem religião. Para a sua realização, estão previstos cerca de 50 palcos, em vários locais da cidade de Lisboa, para serem debatidos problemas da juventude, nomeadamente o diálogo inter-religioso. Este mesmo Bispo, presidente da Fundação JMJ2023, foi confrontado com o facto desta jornada, realizada em Madrid, ter atingido apenas cerca de 50 milhões de euros, muito inferior ao que se prevê gastar em Lisboa. Mesmo as outras, realizadas em diversos países do mundo, nunca atingiram o que se prevê gastar em Portugal. Sabe-se já que a organização da JMJ recebeu cerca de cinco milhões de euros de donativos empresariais. Ou seja, pouco mais de 6% dos 80 milhões que só a Igreja tem previsto gastar. Por sua vez, a Câmara de Lisboa vai despender até 35 milhões e a Câmara de Loures avançará com uma verba entre nove e dez milhões de euros. Relativamente à Câmara de Oeiras, organizadora do encontro dos voluntários do evento com o Papa Francisco, ainda não revelou ainda o montante que irá investir. Uma pipa de massa que os organizadores dizem resultar em futuro retorno, muito acima do que se irá gastar, graças às despesas pessoais dos peregrinos que poderão vir a deixar em Lisboa.
Estes volumosos gastos incluem também a recuperação de um aterro sanitário que era uma lixeira e um complexo logístico, cheio de contentores. Será neste local recuperado que irá decorrer o grande encontro com o Papa Francisco. Tem sido sobretudo a construção do altar desta cerimónia, agora cortado em 30% do seu preço inicial de cinco milhões, que tem motivado a maior parte das polémicas. O Presidente da Câmara de Lisboa Carlos Moedas garantiu que este enorme espaço verde irá ficar para ser reutilizado em futuros grandes eventos.
Mas as Jornadas não se irão reduzir apenas à volta deste polémico altar. Irão prolongar-se por várias zonas da cidade de Lisboa, desde o Parque Eduardo VII ao Parque da Boa Vista. E, finalmente, como já referimos, também a Oeiras.
Recordemos que a JMJ nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985 em Roma, no Ano Internacional da Juventude. 
Quando, em 2019 no Panamá, esta iniciativa foi anunciada para ser realizada em Lisboa, em 2012, a Igreja falou com representantes do Estado e todos concordaram em assumir as despesas da JMJ a qual só se vai realizar-se este ano, devido à pandemia.
Segundo os seus organizadores, já estão inscritos, para participar nestas Jornadas 10 mil voluntários. Este número, segundo os seus organizadores, poderá vir a ser duplicado ou triplicado. De todo o mundo, são esperados um milhão e meio de jovens e 400 000 já manifestaram interesse em participar. Destes, 20 mil até já pagaram a sua inscrição e representam 183 países. Para lá das polémicas, com toda a alegria os iremos receber. Será uma oportunidade única na vida de todos nós que urge aproveitar. A bem da juventude que hoje vive dias difíceis, espera-se que, para lá das polémicas, redunde num grande êxito.


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