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Justiça: Homicida condenado a 19 anos de prisão

Lídia Barata - 14/03/2019 - 17:55

O coletivo fundamentou a condenação do homem que matou a ex-companheira com 85 facadas, na “frieza de ânimo” do arguido.

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Homem condenado ainda a pagar 150 mil euros à família

João Silva, de 33 anos, que na noite de 9 de março de 2018 matou a ex-namorada, Vera Lopes, de 29 anos, com 85 facadas, em Aldeia Nova do Cabo, no concelho do Fundão, foi condenado a 19 anos de prisão pelo Tribunal Judicial de Castelo Branco, tendo ainda sido condenado a pagar uma indeminização de 150 mil euros ao filho da vítima.

O arguido vinha condenado por homicídio qualificado, cuja moldura penal vai dos 12 aos 25 anos, mas a sua defesa pedia a desqualificação do crime, para homicídio privilegiado, cuja condenação se situaria entre um e cinco anos de prisão. O coletivo entendeu acolher a sugestão do Ministério Público, que pedia “uma pena nunca inferior a 18 anos de prisão”, tendo ainda optado por agravar a qualificação jurídica, desconsiderando a hipótese de desqualificar o crime, o que justifica com “a frieza de ânimo” com que o arguido agiu naquela noite, até porque após ter desferido 85 facadas na vítima, o que lhe provocou a morte, foi à casa de banho lavar as mãos sujas de sangue, deitou a faca para a lareira, enviou uma mensagem para si próprio do telemóvel da vítima, levou consigo a chave da casa dela e tentou desfazer-se das provas que o pudessem comprometer, deitando fogo aos tapetes do carro, roupa e calçado”.

Recorde-se que o arguido terá ido naquela noite a casa de Vera Lopes, com quem manteve um relacionamento de três anos, que ele insistiu ser apenas de cariz sexual, apesar de para ela se ter tornado algo afetivo, até pelos registos que fazia numa agenda que a Polícia Judiciária encontrou nos pertentes da vítima, para colocar um ponto final na relação, algo que já teria tentado, mas que Vera se recusaria a aceitar.

conversa terá terminado em discussão e no homicídio da jovem, apesar de João Silva ter contado em tribunal que foi ela quem pegou na faca, apontando-a inicialmente para si própria. Temendo que ela se suicidasse, o homem tentou desarmá-la, mas ela ter-lhe-á apontado a faca, afirmando: “se não és meu não és de mais ninguém”. Isto porque, tal como ele fundamenta, Vera não aceitava o final da relação por ele ter começado a namorar com outra mulher. Desse confronto com a faca, João Silva acabou por ficar na posse da mesma e terá desferido “duas a três facadas”, segundo garantiu ao Tribunal, não se lembrando das restantes, até perfazer as 85.

Jorge Gaspar, advogado do arguido, afirmou no final da sessão que vai recorrer da decisão.

COMENTÁRIOS

Joao Santos
à muito tempo atrás
Concordo