Plataforma promete resistir a um regresso das portagens. Foto arquivo Reconquista
A Plataforma P’la Reposição das Scut na A23 e A25 diz que há um “perigo” de regresso das portagens a estas autoestradas, acusando o Governo de Luís Montenegro de estar a utilizar um estudo da Autoridade da Mobilidade e Transportes (AMT) para defender o princípio do utilizador/pagador.
A organização que congrega empresários, sindicatos e cidadãos dos distritos de Castelo Branco e da Guarda diz que a proposta do Orçamento de Estado para 2027 é uma “mão cheia de nada” para o interior, deixando de fora investimentos na ferrovia e na construção de vias como o IC6 e IC31 no distrito de Castelo Branco e o IC7, IC26 e IC37 no distrito de Guarda. Críticas que se estendem ao preço dos passes sociais nos transportes públicos e ao Plano de Revitalização da Serra da Estrela.
“A plataforma vem de forma muito firme dizer que a ferrovia e estas vias são essenciais ao desenvolvimento da Beira Interior e é objetiva manipulação e mentira dizer-se que não são feitas por causa da eliminação das portagens na A23, A24 e A25. Queremos, por isso, deixar claro que a construção destas infraestruturas rodoviárias não está financeiramente dependente de qualquer introdução de portagens nas Scuts do interior”, escreve em comunicado.
Estes temas fizeram parte da agenda de uma reunião que aconteceu recentemente na Covilhã, para tratar a implementação do Plano Global de Mobilidade na Beira interior, nomeadamente as relativas à ferrovia e às ligações rodoviárias a Espanha (IC31) e a Coimbra (IC6); a redução do preço dos passes sociais e a melhoria e aumento dos horários e da qualidade dos meios de transporte e ainda a publicação do recente estudo estratégico de financiamento da rede rodoviária. Sobre este estudo, a plataforma critica a AMT, acusando esta autoridade de não ter promovido um debate ou ouvido a sociedade civil e os agentes económicos, sociais e políticos, a começar pelas autarquias.
“Em momento algum, o estudo coloca em causa a continuação das Parcerias Público-Privadas, quando é reconhecido que elas foram e são altamente lesivas do interesse nacional, porque oneram os custos quer com a construção, quer com a manutenção das autoestradas inexistentes aquando da construção das Scuts”, defende. Qualquer possibilidade de introdução de portagens será encarada como uma “declaração de guerra” ao interior e nesse caso “não excluiremos nenhuma, mas mesmo nenhuma, forma de luta legitima”.
A plataforma decidiu ainda pedir audiências à AMT, a Luís Montenegro, ao ministro Miguel Pinto Luz, aos partidos no Parlamento e apelar às comunidades intermunicipais, assembleias municipais e câmaras municipais que se façam ouvir.