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Pais em tempos de crises: Livre para viver, para aprender e para não ser magoada

Mário Freire - 24/08/2017 - 9:31

“Every last girl” é o título de um estudo publicado em 2016, com base num inquérito levado a cabo em 144 países pela ONG britânica Save the Children, que trata da situação das raparigas no mundo. Não me recordo de, a este estudo, ter sido dado grande relevância no nosso País. No entanto, ele revela dados interessantes sobre a situação de Portugal no mundo, no que a esta temática concerne.
A ordenação dos países assenta em cinco indicadores: casamento precoce, conclusão do ensino secundário, gravidez na adolescência, mortalidade materna e relação entre mulheres e homens nos Parlamentos. Ora, os resultados do inquérito mostram situações alarmantes em muitas zonas do planeta. Concretizando: em cada sete segundos há um casamento de uma adolescente com menos de 15 anos e, em cada ano, 2,5 milhões de raparigas com menos de 16 anos dão à luz uma criança. A gravidez e o parto são apontados como as causas mais frequentes de óbito para as raparigas entre os 15 e os 19 anos.  
Ordenados os países inquiridos, de acordo com os itens estabelecidos, verifica-se que os escandinavos são os que levam a dianteira. Portugal aparece num honroso 8º lugar, à frente da França, do Reino Unido, da Suíça, da Alemanha, da Espanha, da Áustria, da Itália, só para citar alguns dos países que nos são mais próximos. Os Estados Unidos ocupam o 32º lugar devido à elevada taxa de gravidezes adolescentes. Como seria de esperar, é a África subsaariana que piores níveis apresenta (Somália, Mali, República Centro Africana, Chade e Níger). O Brasil ocupa o 102º lugar.
Estes números mostram quanto no mundo existem, ainda, desigualdades gritantes, seja na ausência de políticas de saúde e de educação, seja na paridade de direitos da mulher em relação ao homem, seja, ainda, no modo como muitas meninas e adolescentes são tratadas, não passando de mercadoria que se transacciona. O título que encima esta crónica serve de subtítulo ao estudo que tem estado a referir-se. Ora, só respeitando a dignidade humana, garantindo os direitos básicos, se poderá promover o desenvolvimento da sociedade. Será que, como país, como pessoas e como pais, poderemos fazer algo nesse sentido?

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