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Memória, realidade e alternativas falaciosas

Paula Reis - 20/04/2023 - 7:50

No dia em que é anunciado um aumento das pensões no valor de 3,5% baseada na estabilidade do sistema e na vontade de melhorar a vida dos pensionistas portugueses, a oposição balança entre continuar a afirmar que privatizar era a melhor solução e que os aumentos e boa gestão não são suficientes, ou ainda que o PS nos deixou uma pesada herança de más contas da qual nunca sairemos.
O desemprego não aumentou.
Temos mais população ativa e mais contribuições porque os salários aumentaram.
A saúde financeira do sistema público de Segurança Social está estável e bem (o FEFSS não esgota até 2060).
Para além das evidências a que se chega por meio de cálculos, eu recorro a duas para explicar a situação em que realmente nos encontramos: a memória e a realidade.
A memória, para nos lembrarmos o que é a angústia de ter uma taxa de desemprego com taxas de dois dígitos, salários e pensões cortados em nome de uma estabilidade financeira débil e oscilante, com investimentos privados e confiança no mercado débil.
Ainda se lembram da imagem de Portugal na Europa dessa altura?
De diletantes, preguiçosos e maus de contas?
A realidade que é a de todos nós, de uma Europa que teve de deitar mão a si própria depois de uma situação de Pandemia e de Guerra. De uma Europa mais solidária, que está preocupada com a saúde financeira dos Estados, mas também com cada um dos seus cidadãos.
A realidade que é a de um país onde não falta emprego, onde um acordo de estabilidade permitiu traçar o rumo de aumento de direitos e rendimentos, porque se entendeu que este é um País onde não queremos continuar a viver de uma política de investimento baseada nos baixos salários.
A realidade é a da confiança num Governo que sabe e cumpre a sua parte do contrato social, que é a de agir para que o contributo de todos seja garantia de uma sociedade mais justa e equitativa.
A realidade é aquela que, por justiça, chega a casa de todos os portugueses sob a forma de salários, pensões, transportes públicos mais baratos ou gratuitos, educação de qualidade, apoios sociais a jovens famílias, complementos de rendimentos para aqueles que mais precisam.
A realidade é a de um país cuja dependência energética não é mais grave porque há mais de década e meia investiu em fontes de energia renováveis, que hoje nos coloca numa posição invejável nesta matéria.
A realidade é a de um País que é visto na Europa como aquele onde se conseguiu a quadratura do círculo: boas contas públicas, mais rendimentos, mais investimento privado.
A realidade é a de um país onde a agenda dos partidos de direita não vence eleições, tendo por isso baseado a sua esperança na dissolução de um Parlamento democraticamente eleito pelos portugueses, dando maioria parlamentar a um partido, confiança e estabilidade para governar e aplicar o seu próprio programa (que caso não existisse, não teria estes resultados).
A realidade é a de que o esforço por manter serviços públicos que sirvam a todos, está sempre pressionada pela agenda daqueles que querem construir um País onde a solidariedade e o contrato social passam a basear-se em caridade e em lucros concentrados numa ínfima parte da sociedade portuguesa, que fará sentir à outra imensa maioria a gratidão da moeda posta na mão estendida. 
P.S.- Parabéns a Castelo Branco pela vinda do Tribunal Administrativo e Fiscal, na sequência de uma decisão de Conselho de Ministros, baseado nos princípios da desconcentração e coesão territorial.

Deputada eleita pelo PS

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