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Muito mais do que entretenimento

Luís Beato Nunes - 12/05/2016 - 9:18

 Neste fim-de-semana decidir-se-á o novo detentor do título de campeão nacional de futebol numa disputa entre os “dois rivais da 2ª Circular”, à qual não se assistia desde a época de 1981/82 em que o Sporting C.P. se sagrou campeão.

As duas equipas já ultrapassaram a fasquia dos 80 pontos, dando aos seus adeptos vários momentos de alegria, apesar de apenas uma poder ser campeã.

            Contudo, mais do que uma competição desportiva, o futebol tem-se tornado nas últimas décadas numa importante actividade económica, geradora de avultadas receitas para os principais clubes e potenciadora de um conjunto significativo de negócios relacionados com este desporto.

            Segundo um estudo de 2014 da consultora AT Kerney as várias actividades desportivas geraram mais de 80 biliões de euros de receitas apenas em 2013, sendo as várias ligas europeias de futebol responsáveis por mais de 33% desse valor, representando mais do que a soma das receitas geradas pelo baseball, o baskteball e o futebol americano nos EUA.

            Um pouco por toda a Europa, os clubes de futebol têm vindo a tornar-se em entidades económicas capazes de gerar grandes volumes de receitas cada vez mais diversificadas, seja pelas contribuições dos sócios, pelos bilhetes para os jogos, pela venda dos direitos televisivos, pelos contratos com patrocinadores, pelas mais-valias na venda de jogadores, pelo merchandising, ou pelos prémios de participação nas competições da UEFA.  

            Segundo o mesmo estudo da AT Kerney, apesar de as assistências nos estádios de futebol representarem uma parcela relevante das receitas dos clubes, são os direitos televisivos de transmissão das competições e dos jogos das várias equipas que representam a principal fatia das receitas geradas por este desporto.

            De referir que a partir de 2013 as principais ligas de futebol europeu têm conseguido negociar contratos extramente vantajosos com as empresas de meios de comunicação social para a transmissão das respectivas competições, nomeadamente a Bundesliga da Alemanha, a Premier League da Inglaterra, a Seria A da Itália, a Ligue 1 da França e La Liga da Espanha.

            Em Portugal, os três principais clubes optaram por negociar individualmente os direitos de transmissão dos seus jogos, assinando contratos impensáveis há alguns anos atrás, podendo mesmo afectar o futuro do nível de competitividade do campeonato nacional, mas a Liga e a Federação ficaram a “ver o jogo”.

É verdade que os valores anunciados, todos acima dos 400 milhões de euros para as próximas 10 épocas e envolvendo, nalguns casos, o patrocínio das camisolas e dos estádios, estão ainda sujeitos a alterações e podem mesmo não se concretizar integralmente, mas os montantes divulgados são impressionantes.

A própria “exportação” de jogadores de futebol já figura entre as actividades que ajudam a equilibrar a balança comercial portuguesa, uma vez que todos os anos são vendidos passes de jogadores por dezenas de milhões de euros, sobretudo entre os três principais clubes nacionais.

Assim, neste fim-de-semana mais do que a vitória na competição decidir-se-á quem fará a festa dos milhões, uma festa que será certamente apadrinhada pelo Marquês e feita por milhares de adeptos que nunca se devem esquecer que são eles a principal alavanca que contribui para os negócios milionários dos seus clubes.

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