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A (in)disciplina e o modo de social

Bruno Trindade - 21/05/2020 - 9:25

Um dos problemas das escolas é a indisciplina. É um fenómeno recente e tem vindo assumir novas dimensões, devido à sua frequência, a visibilidade e a preocupação.
A indisciplina é um fenómeno de mal-estar e stress nos distintos agentes educativos, nos alunos e das relações interpessoais. Segundo Lopes (2013) refere que “o desgaste provocado pelo elevado número de atos de indisciplina de baixo impacto…é muito significativo e provoca uma sensação de esgotamento num número não desprezível de professores” (p. 43).
Apesar dos estabelecimentos de ensino possuírem boas instalações, o espaço exterior dos recreios é amplo, mas sem ou poucos equipamentos, com apenas campos de futebol de relva sintética ou outro material. Os espaços interiores para acolher os alunos durante o recreio, nos dias de chuva, são exíguos, resumindo-se ao hall e ao ginásio, estando desprovidos de qualquer equipamento ou material.
É necessário pensar os espaços de recreio com novas diversidades de elementos para as brincadeiras dos mais novos, onde a colocação de técnicos no contexto escolar é essencial para dotar o brincar como uma ferramenta essencial.
O excesso de programação do dia a dia das crianças não permite o tempo para a descoberta e para criatividade. O brincar com supervisão, com estímulos e descoberta são essenciais para o desenvolvimento das soft skills para aplicação no futuro, levando o ambiente do brincar para a variedade de estímulos no ambiente natural.
As crianças e adultos passam cada vez mais tempo fechados entre quatro paredes, onde se fomenta o sedentarismo, “enlatados” em caixas com rotinas não saudáveis, onde não se potencializa o princípio da observação para o desenvolvimento, falta tempo livre em conteúdos e diversidade, levando a problemas de socialização.
O recreio, o brincar “Brincoterapia” ajuda a estimular o movimento, reduz stress, diminui a ansiedade de aprender, estimula reações e interações e ensina o fundamental usar o corpo e a mente na descoberta e na promoção da saúde e do bem-estar. Em suma uma criança que tem oportunidade de brincar, desenvolve-se cognitivamente, socialmente, afetivamente e fisicamente.
Estas mudanças podem ser explicadas pela democratização do ensino, a consequente massificação das escolas com a inerente heterogeneidade social, as alterações nas estruturas familiares e a influência dos meios de comunicação social. Os problemas comportamentais e de indisciplina, segundo Lopes e Rutherford (2001), “são normalmente apresentados como competências dos alunos, ou seja, como comportamentos que estes exibem nas escolas e que colidem com os objetivos fundamentais do ensino” (p. 17). Para estes autores, a indisciplina “não implica a existência de agressões intencionais, com clara violação dos direitos de terceiros” mas tende a “ser representada por comportamentos de baixa intensidade mas de elevada frequência” (p. 20)
No intuito de dar qualidade aos espaços de recreio, Pereira (2002) considera que “é indispensável equipar os espaços e dar acesso à utilização de pequenos equipamentos nos recreios e incentivar as crianças a trazer os seus próprios equipamentos portáteis (cordas, elásticos, bolas, piões, etc.), sobretudo jogos que possibilitem a cooperação entre as crianças” (p. 190).
A função da educação é, fundamentalmente, transmitir os valores de uma cultura e socializar indivíduos para se tornarem praticantes da cidadania. É nos recreios escolares que os alunos aprendem mais sobre as relações em grupo: decidem com quem conversar, de quem se aproximar, onde e como brincar, aprendem a ceder lugar ao outro, a esperar pela sua vez na roda de amigos para falar, pedir e dar licença e a se desculpar. 
Assim, o recreio apresenta um amplo campo de oportunidades para o desenvolvimento de valores, atitudes, influenciando a socialização e a aprendizagem de comportamentos assertivos.

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