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O setor agroalimentar no nosso país

Luís Beato Nunes - 17/03/2016 - 11:03

A semana passada ficou marcada pelos veementes protestos de várias dezenas de suinicultores e outros representantes do sector agroalimentar, sendo estes protestos ecos de um mal-estar, o qual se faz sentir desde finais do ano passado, com vários produtores a exigirem medidas mais eficazes de proteção da produção nacional e de mais apoios da UE.

            Ora, o sector agroalimentar sofreu nos últimos anos uma evolução apreciável adaptando produtos ao gosto dos consumidores, procurando ao mesmo tempo processar os seus produtos de forma mais saudável e apresentando características inovadoras de modo a torná-los mais competitivos.

            Contudo, este é um sector onde a dimensão das explorações é especialmente relevante, uma vez que a capacidade de produzir em quantidade se reflete em preços mais competitivos para os consumidores que, apesar de poderem preferir a produção nacional, também têm em conta os seus respetivos orçamentos familiares.  

            A verdade é que com algumas exceções, como a produção de tomate no Ribatejo, a produção de frutos vermelhos, sobretudo no Algarve e a produção de azeite no Alentejo, com a ajuda fundamental da barragem do Alqueva, o sector agroalimentar em Portugal tem enfrentado muitas dificuldades desde o início deste século.

            O vinho continua a ser o produto por excelência do sector agroalimentar, resultado de uma extraordinária organização do território nacional em diferentes regiões demarcadas, mas a marca “Portugal” continua com uma presença difusa no estrangeiro, fruto da própria concorrência entre as várias regiões produtoras.

            O sector do leite, especialmente importante nos Açores, tem sofrido imenso com o fim das quotas da UE e, sobretudo, com o embargo da Rússia aos produtos lácteos da UE, o qual se iniciou em 2014 podendo estender-se até 2018, segundo declarações recentes do primeiro-ministro russo Dmitry Medvedev.

            No sector agroalimentar convém, também, não esquecer os vários queijos nacionais de qualidade excecional, entre os quais se destacam o Queijo Amarelo da Beira Baixa e o Queijo de Idanha-a-Nova produzidos pela “Sabores da Idanha”- Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa, ou ainda os vários produtores de queijos da Serra da Estrela.

Porém, a dificuldade destes produtores em internacionalizarem os seus produtos de qualidade ímpar tem limitado a sua comercialização ao mercado nacional, onde se afirmam pela sua qualidade, mas onde nunca ganharão uma escala de produção que lhes permita competir no mercado global, apesar da sua qualidade já reconhecida internacionalmente.

Assim, com algumas exceções de grandes empresas, como a Lactogal-Produtos Alimentares S.A. (no leite e produtos derivados), a Sugalidal-Indústrias de Alimentação S.A. (produção e transformação de tomate), o Grupo Lusiaves-Indústria e Comércio Agro-Alimentar S.A. (produção de carne de aves), ou até a Azal-Azeites do Alentejo S.A. (produção e engarrafamento de azeite), a maioria dos produtores nacionais do sector agroalimentar tem uma dimensão pequena.

            Finalmente, há projetos interessantes como o do Grupo Jerónimo Martins que desde 2014 tem desenvolvido uma integração vertical de muitos negócios do sector agroalimentar de modo a abastecer os seus supermercados em Portugal, na Polónia e na Colômbia, tendo iniciado com a produção de leite e carne de bovinos com uma fábrica (outrora propriedade da Serraleite) e uma vacaria em Portalegre.   

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