Quando é que o planeamento deixa de ser um conceito para ser uma prática consequente?
Em 1987 foi lançado em Portugal um livro com o título «O Eucalipto ou o Homem». No tempo em que só tínhamos dois canais de televisão, o facto de um livro ser publicitado neste meio deve ter contribuído para, apesar da tenra idade, nunca me ter esquecido deste título.
O autor, Antero Gonçalves, lavrador autodidata a quem a plantação de eucaliptos trouxe problemas, colocava questões a que ninguém respondeu na altura, e que teimosamente continuamos hoje sem querer responder.
Hoje, se substituirmos a palavra eucalipto nas questões colocadas pelo autor, por outras relativas a qualquer espécie de árvore, em cultura intensiva, a precisar de regadio para ser economicamente muito viável, ou de instalação de painéis fotovoltaicos em propriedade agrícola (em vez de aproveitar espaços como os telhados de edifícios públicos e privados, por exemplo), podemos dizer que as questões continuam atuais e cada vez mais prementes.
Como exemplo, aponto duas das perguntas que o autor nos colocava para reflexão:
«Deve ser livre a destruição de sobrais, olivais (de sequeiro, acrescento eu), pomares, etc. para substituir por eucaliptos?»
«Deve ser livre a plantação de eucaliptos em terras de primeira e até de regadios, com ou sem água pelo seu pé?»
Desde 1987 o País seguiu o caminho de receber de braços abertos os investimentos que vieram destruir paisagem, consumir água em excesso, inutilizar solos agrícolas, desertificar o País e tratar as culturas tradicionais de sequeiro como pouco nobres porque pouco lucrativas.
As licenças vindas das entidades que superintendem a área do ambiente suscitam muitas vezes perplexidade e à fiscalização no terreno não são dados meios ou ordens que acautelem verdadeiramente a sua função.
Falemos agora de incentivos financeiros. Este verão, ao atravessar a parte rural da Andaluzia, passei por centenas de hectares de plantio de girassol. Lembrei-me do preço exorbitante que o óleo atingiu no início da invasão da Ucrânia. O problema, como me explicaram, é que os apoios ao cultivo desta espécie apenas se referem ao seu plantio, contribuindo muito pouco para ser uma solução porque a colheita não é verificada, nem a transformação é acompanhada. Como resultado, os ditos campos de cultivo mantêm-se até as plantas secarem, para depois serem arrancadas (sem aproveitamento) e cultivadas novas para recebimento de novo subsídio.
Os incentivos a plantio de muitas espécies advindos das linhas de financiamento da União Europeia estão assim a contribuir muito pouco para ser uma solução coletiva, usando os impostos dos europeus para fins que contrariam o possível planeamento e intenção de quem os desenhou, negociou e pensou como solução.
Às perguntas que já ouvi «Se assim mantemos a atividade agrícola viva?»
«Se estamos a financiar a existência de postos de trabalho?»
Respondo com outra pergunta: «Talvez, mas com que custos?»
Por fim, às questões que o autor colocava na altura, atrevo-me a colocar hoje uma questão acerca dos novos «cultivos intensivos» de painéis fotovoltaicos: deve o ser humano ser incentivado a consumir energia em espiral crescente só porque encontramos uma forma de o ecológico se ter transformado numa indústria intensiva muito rentável para quem os «planta»?
Se o eucalipto continuar a ser utilizado quase exclusivamente para Papel, então sim é mais malefícios que benefícios...
Mas, Secularmente se utiliza o eucalipto medicinal e terapeuticamente, ainda hoje muitos produtos e terapias dependem dessa Árvore.
Infelizmente hoje em dia só estão a olhar para CBD's escolhendo ignorar os benefícios provados para a saúde dessa espécie arbórea...