Projeto de formação artística quer dar ferramentas aos jovens artistas para construírem uma carreira.
Fábrica da Criatividade recebeu o programa. Foto Reconquista
Ser bom na arte que se escolheu pode não ser suficiente para ter uma carreira bem-sucedida. Saber escolher os trajetos, identificar as oportunidades de trabalho, produzir conteúdos, comunicar ou fazer um simples currículo são conhecimentos ou ferramentas que podem fazer a diferença.
É nisso que acredita a Orquestra Sem Fronteiras (OSF), que durante uma semana fez da Fábrica da Criatividade em Castelo Branco a casa do FICA de Férias, um projeto do programa Futuro do Interior pela Criação Artística, que dirige a jovens entre os 16 e os 29 anos.
Este ano, a versão estival do FICA aumentou o raio de ação, assumindo como tema “Artes em Contacto”. Para isso convidou várias pessoas para passarem conhecimento de áreas tão diferentes entre si, como o movimento e as tecnologias de gravação.
“Esta é a grande distinção deste ano. No ano passado o enfoque era em músicos, mas esta vez abrimos para artistas em geral”, começou por explicar Stephanie Rowcliffe.
Para a diretora executiva da OSF “gostaríamos de não só colocar, sobrepor e pôr em contacto diferentes formas de arte como pôr os próprios artistas em contacto, que achamos que é uma dimensão muito importante para fomentar aqui o ecossistema”, disse ao Reconquista.
Mas também “ajudar estes artistas, por exemplo, a lidar com questões muito pragmáticas como a gestão financeira, a gestão da sua carreira, saber como lidar com os temidos recibos verdes, ou saber os direitos e aquilo de que se podem valer para criar a sua carreira de uma forma sustentável”.
O alargamento do FICA de Férias aconteceu ainda no mapa, chegando a jovens naturais ou residentes em 40 concelhos nos distritos de Coimbra, Guarda e Castelo Branco. Stephanie Rowcliffe espera que com esta ajuda, que é feita em grupo, mas também de forma personalizada, estes jovens “consigam não só encontrar as oportunidades para desenvolver trabalho nesta área, como criar as suas próprias oportunidades, criando os seus projetos”.
Para a diretora executiva da OSF, o facto de o projeto estar desde o início sediado em Idanha-a-Nova e de receber jovens músicos oriundos de regiões do interior faz com que a equipa conheça “as dificuldades que têm de construir as suas carreiras no interior”.
Stephanie Rowcliffe partilha da opinião que “o interior é rico, tem muitas pessoas com muito valor e associações que nem sempre estão em contacto”, esperando que projetos como o FICA possam dar um pequeno contributo para mudar esse panorama. E reconhece a importância de um espaço com as características da Fábrica da Criatividade, que voltou a recebê-los.