Foi este o título que foi escolhido em Julho de 2016, no Diário de Notícias, para apresentar os resultados de um inquérito dirigido a mais de 2.500 encarregados de educação portugueses. O estudo foi realizado com o apoio da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas e da Confederação Nacional das Associações de Pais e no perfil da maioria dos encarregados de educação inquiridos inclui-se a habilitação superior (79%), ser-se casado (73,9%), habitar num grande centro populacional e ter educandos com rendimento escolar.
Como se vê, a amostra não é representativa do universo dos pais. Ficam, excluídos, em maior percentagem, os pais cuja habilitação não atinge o nível superior, aqueles que vivem em pequenos e médios centros urbanos e em zonas rurais, os que não são casados ou cujos filhos vivem apenas com um dos progenitores, para além de outras situações. Por outro lado, no que se refere ao rendimento escolar, ele pouco se compatibiliza com os dados referidos pelo Conselho Nacional de Educação (Recomendação de Fevereiro de 2015), quando diz que 35% dos alunos ficam retidos, pelo menos uma vez, no mesmo ano de escolaridade, contra a média de 13% dos países da OCDE.
Apesar das grandes limitações da amostra, este estudo não deixa de dar informações importantes sobre o conteúdo das divergências entre pais e filhos. Ora, grande parte das discussões, nas famílias inquiridas, ocorre porque os filhos têm o quarto desarrumado ou usam demasiado o telemóvel. O incumprimento de ordens, orientações ou pedidos, as rotinas de estudo ou os trabalhos para casa, as brigas entre irmãos, birras, horários de sono, recusa em realizar tarefas domésticas, insuficiente desempenho escolar e o comportamento escolar desajustado são as causas identificadas no conjunto dos dez principais tipos de discussões entre pais e filhos. Apesar do álcool e do tabaco serem um problema social entre os jovens, os conflitos sobre essa matéria não foram, praticamente, referidos nas respostas ao inquérito.
Quanto aos modos de correcção identificados, eles incluem, por ordem de frequência: 1-repreensão através de um diálogo calmo, 2-gritar, 3-privar os educandos de objectos como brinquedos, telemóveis ou televisão e 4-privar os educandos de actividades de que gostam. Bater passou a ser um castigo só muito raramente aplicado, quando comparado com a geração dos pais dos encarregados de educação.
Claro que a medida correctiva a aplicar e o modo como ela se aplica depende da idade do educando. Em abstracto, porém, com uma ou outra alteração, julgo que os pais inquiridos não andarão muito longe do saber educar os seus filhos.