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Pais em tempos de crises: Não posso mais! Desisto.

Mário Freire - 01/06/2017 - 10:56

Falava-se, num programa de televisão, sobre o mundo que hoje vivemos, com as mudanças, em vários domínios, que nos estão a atingir. Temos que lidar com essas mudanças e aprender novas maneiras de proceder. Mas se essas mudanças têm impacto a nível tecnológico, elas não deixam de ter menor efeito ao nível das relações interpessoais. E, de entre estas, as que têm lugar dentro da família são particularmente afectadas.
Ora, perante tantas modificações a que as pessoas estão sujeitas, e não conseguindo fazer-lhes face, elas podem ficar muito fragilizadas. Por isso, no tal programa de televisão, se falou numa capacidade que urge desenvolver: a resiliência. Esta consiste em saber lidar com os problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações difíceis, tentando encontrar soluções para enfrentar e ultrapassar as adversidades. Por exemplo, uma pessoa resiliente seria aquela que, mesmo quando perde o emprego, o marido a abandona, tem uma doença grave, morre um familiar próximo, mas também quando tem más classificações na escola, se sente excluída do grupo de amigos, ela não desanima, tentando adaptar-se às novas realidades e encontrar soluções. Às vezes, a situação pode apresentar-se de tal modo difícil que terá que recorrer a alguém, no âmbito da clínica especializada, que a ajude. 
A resiliência tem sido alvo de abundantes estudos e parece depender de variados factores. Ora, um dos que tem merecido o destaque dos investigadores é o que se refere à importância das relações dentro da família, principalmente na infância e adolescência. Há relações entre pais e filhos que são conflituosas, com ralhos e gritos ou, pelo contrário, elas são serenas, chamando aqueles a atenção destes, com paciência, para aquilo que deve ser corrigido. Há relações dos pais para com a criança e o adolescente em que aqueles os amesquinham perante um revés, dizendo-lhes que só fazem coisas erradas, que não servem para nada ou, pelo contrário, essas relações são estimulantes e os incentivam a prosseguir, frente a um fracasso. Enfim, se as relações que os pais têm para com os filhos forem frias, distantes, indiferentes, agressivas, elas contribuem para deles fazerem alguém isolado, agressivo, que desiste à primeira contrariedade e que facilmente cairá num qualquer “curador” de baleia azul que o há-de encaminhar para o abismo; se, pelo contrário, essas relações forem ternas e ajudarem a criança e o adolescente a confiarem nos pais, então estes estarão a ajudar a construir nos filhos a capacidade de eles suportarem adversidades, de enfrentarem dificuldades, de terem confiança em si próprios e de se adaptarem às mudanças que caracterizam o viver de hoje. 

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