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É preciso acreditar

Mário Freire - 28/09/2017 - 10:35

“My fair lady” é um filme americano de 1964, comédia musical, baseado na peça teatral de Bernard Shaw chamada Pigmalião. Trata-se da história de Eliza, uma rapariga pobre, vendedeira de flores, com um vocabulário muito mau e um sotaque característico dos bairros periféricos de Londres. Acontece que o professor de fonética Higgins, pessoa culta, ao ouvir falar Eliza, acompanhado do seu amigo Pickering, aposta com este de que seria capaz de transformar aquela vendedeira de flores, de modos grosseiros, com sotaque e vocabulário de inferior qualidade, num espaço de seis meses, numa dama de alta sociedade. Eliza aceitou o desafio. 
Eis que começa, então, um trabalho árduo mas empolgante, com prazo marcado, em que os desânimos, insucessos mas, também, os êxitos que a rapariga ia revelando, se associam aos incentivos e às correcções do professor Higgins. Este acreditou que a sua pupila tinha as condições para atingir a meta a que se propôs, fazendo, para isso, todos os esforços e dando-lhe os estímulos para que tal se alcançasse; Eliza, por seu lado, correspondeu a essa crença com o seu muito esforço e com o apoio sempre incentivador do professor.  
O prazo da aposta chega ao fim e, com ele, atingiu-se, igualmente, o dia de apresentação de Eliza à alta sociedade britânica. Eis que Eliza, a desconhecida, suscitou de imediato muitas interrogações por parte daqueles que, estupefactos, a presenciavam. Ela deslumbrou quer pelos seus modos delicados, quer pela sua linguagem, sóbria mas correcta. O professor Higgins ganhou a aposta ao seu amigo Pickering.
Lembro esta história no começo de mais um ano lectivo e penso que ela poderia aplicar-se aos pais, na sua relação com os filhos. Acreditar nas capacidades destes e de que eles têm sempre a possibilidade de fazer melhor, poderia ser um lema a adoptar pelos pais, seguindo, talvez, estes passos: quando erram, apontar-lhes, com serenidade, o caminho para não repetirem o erro; nas dificuldades, incentivá-los a ultrapassarem-nas, não desanimando à primeira contrariedade; nos seus pequenos êxitos, elogiá-los, para que ganhem estima por si próprios quando fazem o bom e o bem.
“É preciso acreditar”, canta Luís Goes, no seu conhecido fado de Coimbra. Acreditemos, então, que as pessoas podem fazer-se melhores quando nelas acreditamos. Talvez o mundo se torne, igualmente, melhor! 
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