Fala-se hoje muito em credibilidade, especialmente quando nos referimos aos políticos. Mas ela, igualmente, se aplica a muitos outros sectores, como sejam o mundo dos negócios, a família... Uma pessoa credível é aquela em quem pode acreditar-se, na qual pode confiar-se. Qualquer relação implica uma ideia de confiabilidade. Se o cliente não confiar no fornecedor, estará sempre duvidando do valor das facturas que este lhe apresentar. Igualmente, se os filhos não confiam nos pais, como poderão estes esperar que eles sigam os seus conselhos?
Ora, uma das bases da confiabilidade é a coerência. Há relações empresariais desfeitas pela razão de o fornecedor, estabelecendo prazos para a entrega da mercadoria, não satisfazer esse compromisso, com as consequências daí decorrentes. De idêntico modo, se pai ou mãe exigem que seus filhos sejam pontuais, arrumados, cordiais… e estes vêem neles comportamentos de falta de pontualidade, de desarrumação, de agressividade, poderão eles reconhecer-lhes autoridade?
Os pais darem conselhos aos filhos, fazerem, até, exigências, pode ser importante para estes. Mas, se estes conselhos e estas exigências não tiverem por detrás uma coerência entre aquilo que os pais dizem e aquilo que eles fazem, eles serão pouco mais que inúteis. Claro que o exemplo não dá resultados imediatos. Mas cria o ambiente de autoridade por parte dos pais que faz com que as suas palavras sejam ouvidas e seguidas pelos filhos.
Ser coerente em relação aos filhos mas, também, em todas as circunstâncias da vida, nem sempre é fácil e, quase todos nós, que somos falíveis, caímos uma ou outra vez na incoerência. No entanto, a coerência entre o que se diz e o que se faz não deixa de ser um dos factores construtores da credibilidade e da autoridade do pai e da mãe.