Como pais, certamente nos confrontámos com situações em que um filho, pré-adolescente ou adolescente, está a fazer algo que não é adequado ou oportuno ou deixou de executar uma tarefa que lhe estava atribuída. Uma das tentações dos progenitores é a de perguntar-lhe, simplesmente, se não quer ir fazer o que devia, sujeitando-se a um “não”. Outra, é a de fingir de que nada se passou, para não haver problemas. Outra, ainda, é a de ordenar a execução imediata do que deveria fazer-se. Se os dois primeiros comportamentos não conduzem à realização daquilo que se pretendia, este último pode originar uma reacção inadequada e de resultados duvidosos.
Porém, há uma outra maneira de conduzir o filho a fazer o que deve. O Prof. Paulo Oom, pediatra, exemplifica uma situação deste tipo no seu livro Não te volto a dizer! (2012), Edições Matéria Prima, e que pode ilustrar um modelo adequado de actuação dos pais, Ei-lo: “A mãe acabou de passar pelo quarto do Nuno e ficou aterrorizada com a desarrumação instalada. Nesse mesmo instante foi até à sala e disse ao filho: - O teu quarto está muito desarrumado. Tens de o arrumar até à hora de jantar. Preferes ir agora ou depois do filme? – Vou no fim do filme – foi a resposta pronta do Nuno.”
O comportamento desta mãe joga com a disposição natural de qualquer um, desde o nascimento, querer possuir poder. Claro que um bebé ainda não tem consciência disso mas, afinal, quem comanda as noites dos pais senão ele? Uma birra que significado tem senão o de a criança querer impor a sua vontade? E quantas vezes o consegue!
Ora, um dos objectivos fundamentais da educação é o de promover a autonomia crescente do educando, isto é, a possibilidade de ele, progressivamente, saber exercitar o poder que lhe é concedido, o poder de ir tomando decisões cada vez mais complexas, com as inerentes consequências que daí possam decorrer.
Aquela mãe, ao dar duas opções ao filho, sem lhe retirar algum controlo sobre a situação, conduziu-o a que ele não deixasse de fazer aquilo devia. Estas duas opções jogam-se, fundamentalmente, ou proporcionando outro tempo para se fazer a tarefa ou outro espaço para que a mesma seja realizada. Ela, no entanto, terá que ser sempre cumprida. Daí, a limitação das opções oferecidas.