Calcula-se quanta dor deve ser para os pais que, desejando ter um filho, este vem nascer com uma deficiência! Múltiplos são os problemas, e de vária ordem, que tal circunstância levanta e é sobre eles que Maria Carvalho Costa, profª. da Escola Superior de Enfermagem de Viseu, disserta num trabalho que intitulou de “A família com filhos com necessidades educativas especiais”.
É natural que o aparecimento numa família de uma criança que necessite de cuidados especiais provoque um impacto profundo na estrutura familiar que, segundo a autora do estudo, “devido ao considerável esforço a que a condição da criança obriga, as relações familiares tanto podem fortalecer-se como podem desintegrar-se.” Compreende-se que haja, num primeiro embate, reacções de incredulidade, de não-aceitação da situação, de sentimentos de culpa, de raiva, até. No entanto, à medida que a realidade se vai impondo, “os pais e as famílias têm capacidade para ultrapassar a situação e para aprender a viver com a dor e, muitas vezes, a situação difícil não produz efeitos negativos mas, pelo contrário, pode tornar-se numa experiência enriquecedora, numa força positiva”, diz a autora do estudo.
A aceitação incondicional do filho com deficiência, um amor equilibrado, sem esquecer os riscos emocionais resultantes do facto de os irmãos poderem ser negligenciados pelos pais por estarem demasiado absorvidos pelo filho deficiente, tentando-se que a vida familiar seja o mais normal possível, são atitudes que os especialistas costumam recomendar a estas famílias.
Segundo um outro estudo sobre a mesma temática, de Gislaine Lopes e colaboradores, da Universidade de S. Francisco, Estado de S. Paulo, Brasil, diz-se que “a perseverança e a paciência são ingredientes essenciais na superação das dificuldades.” E isso implica que os pais tenham para com a criança, principalmente se a deficiência é de natureza motora, a preocupação com a disciplina, “que, em casa, com a família, a criança aprenda a ficar quieta, a deixar as coisas no seu devido lugar”, não lhes dando uma superprotecção que as prejudique.
Depois, há os amigos dos pais. O que poderão eles fazer? Muitas vezes, o dizer-lhes que estão disponíveis para ficarem com o filho ou filha para que eles, marido e mulher, saiam juntos a jantar e terem um tempo só para si, é suficiente para sentirem que não estão sós.
Estudos sobre os problemas da deficiência e das maneiras das famílias os mitigarem não faltam. Assim os conhecimentos neles contidos, e também os apoios de vária ordem, possam chegar até elas, com acções concretas, através das pessoas, instituições e entidades competentes.