A coabitação é um fenómeno que está adquirindo importância crescente em Portugal. Bastariam os dados que observamos a partir das nossas relações sociais para chegarmos a tal conclusão. No entanto, num estudo de 2011, (“Perfis de coabitação em Portugal”) da autoria de Filomena Santos, publicado na Revista “Fórum Sociológico” da Universidade Nova de Lisboa, pode perceber-se melhor a amplitude do fenómeno e das causas que lhe estão subjacentes. Esta realidade torna-se, ainda, mais visível pelo número crescente de nascimentos fora do casamento, apesar da baixa natalidade existente. A questão que urge, então, colocar é esta: que razões levam os homens e as mulheres a viver juntos sem casar?
As causas são variadas e destacava, entre as citadas pela autora: 1-a burocracia que alguns entendem que não tem que intervir na vida conjugal, uma vez que esta vive de afectos. Há, pois, no seu entender, que retirar o carácter de instituição formal. 2-Para outros, a vida em família é cada vez mais privada e flexível, tendo em conta as escolhas que se fazem, os percursos de vida que se têm, não se compadecendo, assim, com um contrato institucional como é o casamento. 3-Outros, ainda, assumem a coabitação como um estado transitório, uma espécie de experimentação, para ver se dá certo antes de terem os filhos, aparecendo estes depois da formalização da união.
Claro que uma união conjugal sem casamento pode ter a suportá-la uma relação afectiva forte e isso dar-lhe perenidade, enquanto que, em alguns casamentos, os vínculos que unem os cônjuges podem ser débeis, terminando, quantas vezes, em separação ou divórcio. O que me parece é que, independentemente das razões de ordem sociológica que existam, quando um homem e uma mulher se casam, fazem-no com a intenção de que essa união seja duradoura. E, por isso, eles assumem um contrato legal ou, até, lhe associam a celebração de um sacramento. Um casamento, para além de uma relação afectiva forte, exige um tempo para conhecimento mútuo mas, também, conhecimento dos possíveis desencontros que numa união conjugal ocorrem para que estes, ao primeiro tropeção da vida, não ponham em risco não só a felicidade que ambos procuram mas, também, a sua estabilidade, durabilidade e proporcionem o ambiente propício ao aparecimento e educação dos filhos.