Há um padrasto quando uma mulher se divorcia ou se torna viúva do pai dos seus filhos e o homem com quem ela se casa, ou passa a viver, torna-se, então, o padrasto dos seus filhos. Nas famílias contemporâneas com filhos em casa, é mais frequente a figura do padrasto provir da união com uma divorciada do que com uma viúva.
Esta condição de padrasto é considerada frágil porque a autoridade que ele possa ter sobre os enteados decorre de uma delegação feita pela mãe e ela só existe enquanto durar a relação do casal. Essa autoridade, ao contrário da que é conferida pelo pai biológico, é de natureza temporária. Por isso, muitos enteados veem naquele homem alguém que está a usurpar as funções do pai, não o aceitando ou, mesmo, fazendo-lhe frente. A situação ainda se tornará mais problemática se o padrasto entrar na casa da mãe com filhos atrás.
Nem sempre é fácil, pois, ultrapassar estes conflitos. Exige-se, então, da parte do padrasto muita prudência no trato com os enteados, tentando sempre que estes tenham o pai biológico como figura paterna, não tentando competir com ele.
A paciência, o afeto, a sua ajuda em alguns dos trabalhos escolares, a participação com eles em atividades lúdicas e desportivas poderão diminuir a separação entre padrasto e enteados e o ressentimento destes em relação àqueles. Se o padrasto tem os seus filhos biológicos a coabitar consigo, o evitar favoritismos é fator proporcionador de um bom ambiente no lar. Idêntica reciprocidade se exige da madrasta em relação aos filhos e enteados.
"Exige-se, então, da parte do padrasto muita prudência no trato com os enteados, tentando sempre que estes tenham o pai biológico como figura paterna, não tentando competir com ele"
Saber comunicar com os enteados exige disponibilidade da parte do padrasto. Ter tempo para os ouvir, estar disponível para com eles conversar e ter uma mente aberta para aceitar as divergências, sem que com isso signifique deixar de fazer as suas escolhas e de explicar as suas opções, são atos que facilitarão a relação e proporcionarão uma sã convivência. Afinal, não deverá ser, também assim, o relacionamento dos pais biológicos com os respetivos filhos?