As políticas de habitação e a inabilidade dos governos perante o asfixiante contexto com que as populações se debatem pela desregulação do mercado imobiliário (subida desmensurada dos preços face aos salários baixos), está a levar a uma escalada da contestação como há muito não se via.
Em Madrid, o despejo insensível de uma idosa de 87 anos por um fundo de investimento e o chumbo parlamentar de medidas de urgência para o setor, arrastaram a capital espanhola para um estado de revolta contínua e levaram o primeiro-ministro Pedro Sanchéz a convocar eleições legislativas antecipadas.
Em Portugal, o epicentro mediático da vaga de protestos tem estado focalizado no Porto e na Praça D. João I. Mas a indignação alastra-se a Lisboa e outras cidades.
Em França, a crise da habitação é uma parte da revolta, num quadro mais incisivo sobre o aumento do custo de vida, da subida descontrolada dos combustíveis e dos bens alimentares. Entre outros.
Escrevi nesta coluna há dois meses sobre a problemática da habitação, elencando, à minha vista, os motivos que nos conduziram aqui. Chamava-lhe a “tempestade perfeita”, tudo alinhado nos “astros”, desde os baixos salários, à reabilitação urbana através do Alojamento Local, até ao fenómeno na imigração para o qual não nos preparámos. Inclusivamente, ao nível da habitação social.
Castelo Branco vive o problema. Muita procura e pouca oferta. No arrendamento e na compra.
Na compra, até dá a sensação que a construção avança a um ritmo – digamos que – de conveniência. Ou, então, estaremos perante uma outra crise: falta de mão de obra...
Que papel se coloca ao Município na regulação deste imbróglio é a questão que se levanta? A crise da habitação nunca será um fenómeno isolado. Quem não o entender…