No dia 27 de maio realizou-se o Encontro Anual de Alunos da USALBI, um momento de convívio entre participantes de diferentes polos. Nas redes sociais multiplicaram-se os comentários, na sua maioria positivos, como seria expectável. Houve, contudo, algumas reações negativas — entretanto apagadas — que revelam algo mais do que simples opiniões isoladas. Exemplos disso foram frases como: “Se alguém se quiser inscrever tenho batatas para arrancar” ou “Vai, mas é tratar dos netos”.
Não são casos inocentes. Refletem um fenómeno mais profundo e persistente: o idadismo, ou seja, o preconceito com base na idade. Quando se afirma que “a USALBI é para velhos”, não se está apenas a caracterizar o seu público — está-se a aplicar um rótulo carregado de conotações negativas.
Mesmo que algumas destas expressões sejam proferidas sem intenção ofensiva, elas não são neutras. Transportam uma visão implícita sobre o envelhecimento, frequentemente associada a ideias de incapacidade, dependência, inutilidade ou fragilidade. São, por isso, mais do que palavras: são estereótipos sociais enraizados.
Vivemos numa sociedade que valoriza a juventude como ideal quase absoluto. Ser jovem é sinónimo de produtividade, rapidez e adaptação. Por contraste, envelhecer tende a ser visto como o oposto: abrandar, perder, ficar para trás. A velhice surge, muitas vezes, como um território de fim — de projetos, de relevância, de tempo. Paradoxalmente, trata-se de uma sociedade que envelhece, mas que continua a temer o envelhecimento.
No entanto, a idade não é um defeito. A vida não termina aos 60 ou aos 70 anos — transforma-se. Pode mudar de ritmo, mas não perde necessariamente intensidade, curiosidade ou sentido.
Os media também contribuem, por vezes, para a perpetuação deste olhar. Um exemplo recente: a referência a um “idoso de 55 anos” numa reportagem televisiva. Mais do que um deslize, é um sinal de como este tipo de preconceito pode estar normalizado.
Importa reconhecer que existem movimentos sociais e políticos que procuram contrariar esta visão. E é precisamente aqui que a USALBI assume particular relevância. Na prática, representa o oposto do estereótipo. Onde o preconceito aponta para passividade, a realidade mostra aprendizagem contínua, atividade física, participação cultural e envolvimento comunitário. Em suma, demonstra que envelhecer não significa parar.
Talvez seja isso que incomoda. Talvez por isso a expressão “é para velhos” surja muitas vezes com desdém — porque ninguém quer identificar-se com uma categoria socialmente
desvalorizada. E, no entanto, há um paradoxo evidente: todos queremos viver muitos anos, mas poucos querem envelhecer.
Faz sentido uma sociedade que valoriza o conhecimento ignorar aqueles que mais o acumularam? Que promove a inovação mas descarta a memória? Que apela à participação, desde que não seja tarde demais?
Talvez seja tempo de reformular a ideia. A USALBI não é “para velhos”. É para quem não desiste de participar na própria vida. Para quem compreende algo essencial: envelhecer não é parar — é continuar, de outra forma.
Como diz um provérbio judaico: “Para o ignorante, a velhice é o inverno; para o instruído, é a estação da colheita.”
Porque o saber, esse, não tem prazo de validade.